Inflação

Revisões econômicas: expectativas do mercado para inflação e crescimento

Com a Selic em 14,25%, as expectativas de crescimento do PIB e inflação foram revistas

Com a Selic em 14,25%, as expectativas de crescimento do PIB e inflação foram revistas - Imagem: Reprodução / Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 24/03/2025, às 15h44

Na última atualização do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Central (BC) em Brasília nesta segunda-feira (24), as expectativas do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira e a taxa de inflação em 2025 foram revistas em baixa. Com a taxa básica de juros agora estabelecida em 14,25% ao ano, essas previsões refletem um cenário econômico mais cauteloso.

Para o ano corrente, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi ajustada de 1,99% para 1,98%. Já as projeções para os anos seguintes se mantiveram relativamente estáveis, com a expectativa de crescimento do PIB fixada em 1,6% para 2026, e estimativas de 1,9% e 2% para 2027 e 2028, respectivamente.

O desempenho da economia brasileira foi favorável em 2024, quando registrou um crescimento de 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de expansão e a maior alta desde 2021, quando o PIB alcançou um crescimento de 4,8%.

Além disso, a cotação do dólar é projetada para encerrar o ano em R$5,95, com uma expectativa de que atinja R$6 até o final de 2026.

No que diz respeito à inflação, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como indicador oficial da inflação no Brasil, foi levemente ajustada de 5,66% para 5,65% para este ano. Para 2026, houve um pequeno aumento na estimativa de inflação de 4,48% para 4,5%. As projeções para os anos subsequentes indicam taxas de inflação de 4% em 2027 e 3,78% em 2028.

Importante ressaltar que as previsões para a inflação em 2025 estão acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem como objetivo central uma inflação de 3%, com uma margem de tolerância que varia entre 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — portanto, com limites entre 1,5% e 4,5%.

A inflação oficial registrou uma alta significativa em fevereiro, atingindo 1,31%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este índice representa o maior resultado desde março de 2022 e é o mais elevado para um mês de fevereiro desde 2003. Ao longo dos últimos doze meses, o IPCA acumulou uma taxa total de 5,06%.

Para controlar a inflação e atingir as metas estabelecidas pelo governo federal, o Banco Central tem utilizado a taxa Selic como seu principal instrumento. O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu aumentar a Selic em um ponto percentual na última reunião — uma medida que marca o quinto aumento consecutivo dessa taxa em um ciclo destinado à contenção da política monetária.

Em comunicado oficial, o Copom enfatizou que a economia nacional continua aquecida, embora existam indícios de uma desaceleração no ritmo de crescimento. O colegiado também alertou sobre a persistência dos altos índices inflacionários nos serviços e indicou que seguirá monitorando as políticas econômicas vigentes.

Para as próximas reuniões do Copom, há indicações de que as futuras elevações da Selic ocorrerão em menor magnitude na reunião programada para maio. Entretanto, não foram oferecidas diretrizes claras sobre os passos subsequentes.

A projeção do mercado financeiro sugere que até o final deste ano a taxa básica poderá atingir os patamares de 15% ao ano. Para os anos seguintes — 2026, 2027 e 2028 — as previsões indicam uma redução gradual dessa taxa para valores próximos a 12,5%, 10,5% e finalmente 10%, respectivamente.

Compreender a dinâmica da Selic é fundamental; quando essa taxa é elevada, busca-se controlar uma demanda aquecida. Isso resulta em impactos nos preços devido ao encarecimento do crédito e ao incentivo à poupança. Contudo, as instituições financeiras também levam em consideração outros fatores ao estabelecer suas taxas sobre empréstimos aos consumidores — incluindo risco de inadimplência e despesas operacionais — o que pode dificultar ainda mais o crescimento econômico. Em contrapartida, uma redução na Selic tende a tornar o crédito mais acessível, promovendo produção e consumo enquanto controla a inflação e fomenta atividade econômica.

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