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PIB aumenta no segundo trimestre, impulsionado pelo consumo das famílias

Com a taxa de desemprego em 5,8% e rendimento médio de R$3.477, o cenário econômico apresenta sinais positivos

Com a taxa de desemprego em 5,8% e rendimento médio de R$3.477, o cenário econômico apresenta sinais positivos - Imagem: Reprodução / Tânia Rêgo / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 02/09/2025, às 14h43

No segundo trimestre deste ano, a economia brasileira registrou um crescimento de 0,4% em comparação ao primeiro trimestre. Este aumento foi amplamente impulsionado pelo consumo das famílias, que apresentou uma expansão de 0,5% no mesmo período.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também apontou um crescimento acumulado de 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos 12 meses. O PIB representa a soma dos bens e serviços produzidos no país e é um indicador fundamental da saúde econômica.

Uma das metodologias para avaliar o desempenho do PIB é através da ótica do consumo, que leva em consideração não apenas o gasto das famílias, mas também as despesas governamentais, as importações, exportações e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que se refere aos investimentos realizados.

Na transição do primeiro para o segundo trimestre deste ano, os componentes da demanda apresentaram resultados variados. O consumo das famílias se destacou como o principal motor do crescimento, representando 63,8% do PIB. Além disso, as exportações também mostraram expansão, contribuindo com 18% para a composição do PIB.

Embora o resultado de 0,4% seja positivo, representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 1,3% registrado no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2024. Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, a principal razão para essa redução na taxa de crescimento está relacionada à política monetária restritiva implementada pelo Banco Central (BC), que tem utilizado juros altos como ferramenta para controlar a inflação.

Atualmente, a taxa Selic se encontra em 15% ao ano, nível mais elevado desde julho de 2006. A elevação dos juros tende a desencorajar tanto o consumo quanto os investimentos, buscando esfriar a economia e reduzir a demanda por bens e serviços, o que consequentemente ajuda a conter a inflação.

Apesar desse cenário desafiador, Palis ressalta que a economia brasileira demonstrou resiliência. O consumo das famílias atingiu um patamar recorde no segundo trimestre, impulsionado por fatores como o mercado de trabalho ativo e políticas fiscais expansionistas. "O dinamismo no mercado de trabalho continua; observamos um crescimento nos salários reais das famílias e a continuidade dos programas de transferência de renda", explica Palis.

Dados recentes do IBGE indicam que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,8%, a menor desde o início da série histórica em 2012. Além disso, o rendimento médio mensal dos trabalhadores alcançou um novo recorde de R$3.477.

O Bolsa Família é o principal programa de transferência de renda do governo federal, com um benefício médio de R$671,54 destinado às famílias em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, cerca de 19,19 milhões de famílias são atendidas por esse programa.

Mesmo com os altos níveis da Selic impactando outras operações de crédito na economia, Palis afirma que o crédito disponível para as famílias continua a crescer. "Observamos uma desaceleração significativa nas operações de crédito destinadas às pessoas jurídicas, mas não nas pessoas físicas", conclui.

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