
por Agenor Duque
Publicado em 23/01/2025, às 08h54
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou 325.475 cadastros do Bolsa Família entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, afetando 5.021 cidades, o equivalente a 90% dos municípios brasileiros. Em contrapartida, 425 cidades registraram um aumento no número de famílias beneficiadas. Como resultado, o total de famílias inscritas no programa caiu de 20,8 milhões para 20,5 milhões, reduzindo os gastos mensais de R$ 14,1 bilhões para R$ 13,8 bilhões.
Economia ou justiça social?
O Ministério do Desenvolvimento Social afirmou que os cortes foram realizados para garantir o pagamento dos benefícios exclusivamente àqueles que atendem aos critérios de elegibilidade. Segundo a nota oficial, “a redução está ligada ao aumento de renda de algumas famílias e ao aprimoramento cadastral, visando a focalização do programa e não a economia”.
Entretanto, especialistas apontam que a medida também contribui para o equilíbrio das contas públicas. O Ministério da Fazenda planeja economizar cerca de R$ 2 bilhões por ano em 2025 e 2026, e os cortes deste início de ano indicam que essa meta será facilmente atingida, desde que não haja novas inclusões significativas.
Averiguação cadastral e busca ativa
Desde o início do governo Lula, em janeiro de 2023, o Cadastro Único tem passado por uma revisão rigorosa para identificar inconsistências de renda, composição familiar e registros desatualizados. Essa averiguação resultou na exclusão de cadastros fraudulentos e na inclusão de 2,86 milhões de famílias em 2023 e 1,37 milhão no primeiro semestre de 2024.
“As famílias mais vulneráveis são identificadas e assistidas pelos programas sociais do Governo Federal, assegurando o compromisso com a justiça social e o cuidado com a população em situação de vulnerabilidade”, destacou o Ministério do Desenvolvimento Social.
A história do Bolsa Família e seus desafios
Durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), o programa passou por uma expansão significativa devido à crise da pandemia de Covid-19. Milhões de famílias foram incluídas no Cadastro Único, elevando o número de beneficiários a patamares recordes. No entanto, muitas dessas inclusões apresentaram inconsistências que agora estão sendo revisadas.
Desde janeiro de 2023, cerca de 1,1 milhão de famílias foram retiradas do programa. Apesar disso, o número atual de beneficiários ainda é significativamente maior do que antes de 2019, quando o Bolsa Família tinha aproximadamente 14 milhões de famílias inscritas.
A focalização dos recursos
Um exemplo do impacto da revisão cadastral pode ser visto em Pernambuco. O governo estadual cruzou dados do Cadastro Único para pagar um programa social local e descobriu inconsistências que levaram à exclusão de 646 mil famílias.
A averiguação cadastral também busca combater fraudes e evitar que intermediários se aproveitem do sistema para beneficiar pessoas que não atendem aos critérios do programa.
O futuro do Bolsa Família
O governo pretende manter a rotina de averiguação cadastral e aprimorar os mecanismos de busca ativa para identificar famílias que necessitam de assistência e eliminar cadastros fraudulentos. A expectativa é que essas medidas garantam 1) Maior eficiência no uso dos recursos; 2) Redução de filas de espera; 3) Focalização no atendimento às famílias mais vulneráveis.
Embora o foco esteja na exclusão de cadastros irregulares, o governo também trabalha na inclusão de novas famílias elegíveis. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, essas ações visam equilibrar as contas públicas sem comprometer o acesso aos benefícios.
Críticas e avaliações
Alguns analistas apontam que a redução no número de beneficiários pode ser vista como uma tentativa de enxugar gastos públicos em um momento de ajustes fiscais. No entanto, reconhecem que o combate a fraudes e a focalização são essenciais para a sustentabilidade do programa.
Entre os beneficiários, há preocupações de que as revisões cadastrais possam excluir famílias em situação de vulnerabilidade que, por algum motivo, tiveram seus registros desatualizados.
Conclusão
A recente redução no número de beneficiários do Bolsa Família reflete o esforço do governo Lula em tornar o programa mais eficiente e justo. Ao mesmo tempo, busca-se equilibrar as contas públicas sem comprometer o atendimento às famílias mais vulneráveis.
Embora a iniciativa tenha gerado debates, o que se espera é que ela aponte para a necessidade de um programa social robusto, mas não paternalista, que foque em quem realmente precisa, mas que incentive o cidadão a melhorar sua condição de vida e não a manter-se dependente do benefício pelo resto da vida. Que em lugar de um Estado gigante a quem o indivíduo fique preso e de quem seja dependente, que o Bolsa família seja um apoio para que cidadão cresça e progrida, passando a não carecer mais dele, podendo manter-se de forma digna por seus próprios esforços e mérito.
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