Estatal afirma que estratégia comercial permite amenizar oscilações internacionais sem comprometer a rentabilidade da empresa
Letícia Sales Publicado em 10/03/2026, às 11h02
A Petrobras informou que pode reduzir os impactos da alta do petróleo no Brasil sem comprometer a rentabilidade da companhia. A declaração foi feita em nota enviada à Agência Brasil, em meio à instabilidade no mercado internacional provocada por conflitos e tensões geopolíticas.
Em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, a Petrobras reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil”, afirmou a estatal no comunicado.
Segundo a empresa, a atual estratégia comercial considera fatores internos, como as condições de refino e logística, o que permite maior flexibilidade na definição de preços dos combustíveis.
A Petrobras acrescentou que é possível reduzir os efeitos da inflação global em decorrência da alta do petróleo porque a empresa passou a considerar, em sua estratégia comercial, ‘as melhores condições de refino e logística.”
Ainda de acordo com a companhia, essa abordagem permite reduzir o impacto imediato das oscilações do mercado internacional no país. “O que nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável. Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro”, diz o comunicado.
A empresa também ressaltou que não pode antecipar eventuais decisões sobre preços. “Por questões concorrenciais, não pode antecipar decisões, mas segue comprometida com atuação ‘responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira’.”
Após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a guerra poderia estar próxima do fim, os preços recuaram. Atualmente, o barril do petróleo tipo Brent é negociado abaixo de US$ 100, ainda acima da média de cerca de US$ 70 registrada antes do conflito.
Mesmo com a volatilidade do mercado, especialistas apontam que a Petrobras ganhou maior margem de manobra após mudanças na política de preços adotadas pela empresa.
A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), a capacidade de reduzir parte dos impactos está relacionada ao abandono da política de paridade de preços internacional, adotada anteriormente.
O Brasil ainda depende da importação de derivados, como gasolina e diesel. Além disso, a privatização da refinaria da Bahia, a RLAM, reduziu os mecanismos de controle sobre os preços praticados nessas unidades, diferentemente do que ocorre nas refinarias que permanecem sob gestão da Petrobras.