Quadrilha manipulava dados e realizava comprovações de vida fictícias, resultando em pagamentos indevidos de benefícios
Gabriela Thier Publicado em 13/08/2025, às 15h07
A Polícia Federal (PF) deu início à Operação Recupera na manhã desta quarta-feira (13), com a finalidade de desmantelar uma organização criminosa que atua em fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os indivíduos envolvidos na quadrilha, foram identificados funcionários e ex-funcionários da Caixa Econômica Federal.
As investigações apontam que as fraudes tiveram início em 2018, envolvendo a concessão irregular de benefícios assistenciais e previdenciários. Os criminosos inseriam informações falsas nos sistemas da instituição financeira, utilizando acessos privilegiados para facilitar suas ações fraudulentas.
Durante o curso das investigações, foi descoberto que os integrantes da quadrilha realizavam comprovações de vida fictícias, tanto de pessoas inexistentes quanto de indivíduos já falecidos. Além disso, emitiam segundas vias de cartões de beneficiários que não existiam e autorizavam pagamentos indevidos. Os envolvidos também faziam uso de documentos alterados para habilitar benefícios e atuavam em conjunto na manipulação de dados nos sistemas da Caixa.
Em resposta às irregularidades, a Caixa iniciou um procedimento disciplinar que resultou na demissão dos implicados. As apurações revelaram que os autores já possuíam antecedentes por condutas ilícitas semelhantes ligadas à concessão indevida de benefícios.
A PF informou ainda que, mesmo após as demissões ocorridas em 2022, os suspeitos continuaram com as atividades ilícitas, transferindo a terceiros a responsabilidade pelo saque mensal de pelo menos 17 benefícios fraudulentos que permaneciam ativos.
A Operação Recupera conta com o apoio do Ministério Público Federal e da Caixa Econômica Federal e está cumprindo seis mandados de busca e apreensão. Além disso, estão sendo implementadas medidas para bloquear e tornar indisponíveis bens e ativos no valor aproximado de R$ 3 milhões.
Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal e estão sendo executados em locais relacionados aos acusados, situados no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.
Os investigados poderão ser responsabilizados por organização criminosa e peculato eletrônico. A PF afirmou que as operações continuarão no intuito de identificar outros envolvidos, desmantelar o esquema criminoso e recuperar os valores desviados.