Ministro alerta sobre os riscos da economia chinesa e o impacto nas commodities, especialmente o petróleo
Gabriela Thier Publicado em 09/04/2025, às 19h30
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enfatizou a importância de uma abordagem cautelosa por parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em relação às tarifas comerciais estabelecidas pela administração de Donald Trump. Durante um evento promovido pelo Bradesco BBI nesta terça-feira (8), Haddad destacou que "a sociedade deve refletir sobre como agir diante de uma realidade econômica disruptiva. Não é o momento adequado para anunciar medidas; precisamos aguardar a estabilização da situação antes de tomarmos ações que visem proteger nosso país", afirmou.
Além disso, Haddad apontou que o Brasil pode tirar proveito das novas tarifas. "Os nossos produtos terão um custo reduzido no mercado norte-americano. As tarifas substituíram uma política de cotas rígidas, o que elimina bloqueios à exportação e nos possibilita avançar nas exportações para os EUA", declarou.
No entanto, o Ministro também alertou sobre os riscos associados a essa dinâmica, especialmente no que diz respeito à economia chinesa, principal parceiro comercial do Brasil, e ao impacto potencial na cotação das commodities. Ele citou a recente queda do preço do petróleo, que alcançou níveis mínimos históricos. "Este ano, estive nos Emirados Árabes discutindo investimentos no Brasil e as conversas giraram em torno da pressão americana para que o barril fosse cotado a US$ 60, valor que já se aproxima", completou.
Haddad demonstrou otimismo ao comparar a atual situação econômica com a crise financeira global de 2008, que teve um impacto limitado sobre o Brasil. "Em termos gerais, nossa economia se encontra em uma posição sólida. Não enfrentamos problemas significativos de dívida externa, possuímos reservas cambiais robustas e um saldo comercial saudável. Estamos também colhendo os frutos de uma supersafra e lidando com taxas de juros elevadas", afirmou.
Referente aos riscos fiscais, o Ministro expressou confiança na capacidade do governo em cumprir as metas fiscais estabelecidas, ressaltando a importância de um ajuste fiscal gradual em vez de medidas drásticas, como as implementadas na Argentina.