Inflação

Mercado financeiro ajusta previsões do IPCA: expectativas de inflação caem e Selic se mantém alta

O crescimento do PIB brasileiro é projetado em 2,25% para 2026, com expectativas otimistas para os anos seguintes

O crescimento do PIB brasileiro é projetado em 2,25% para 2026, com expectativas otimistas para os anos seguintes - Imagem: Reprodução / Pixabay

Gabriela Thier Publicado em 15/12/2025, às 15h01

O mercado financeiro revisou sua previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a medida oficial da inflação no Brasil, reduzindo a expectativa de 4,4% para 4,36% para o ano corrente. Essa atualização foi apresentada no boletim Focus, divulgado na segunda-feira (15) pelo Banco Central (BC), que realiza uma pesquisa semanal para coletar as projeções de diversas instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.

Para os anos seguintes, as expectativas também foram ajustadas: a projeção para 2026 passou de 4,16% para 4,1%, enquanto para 2027 e 2028 as estimativas são de 3,8% e 3,5%, respectivamente.

Esta marca representa a quinta semana consecutiva de redução nas previsões do IPCA, colocando-as dentro do intervalo estabelecido pela meta de inflação do BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância que varia em até 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, estabelecendo limites entre 1,5% e 4,5%.

A recente elevação nos preços das passagens aéreas contribuiu para que a inflação registrada em novembro alcançasse 0,18%, um aumento em relação aos 0,09% observados em outubro. Consequentemente, a inflação acumulada nos últimos doze meses é de 4,46%, ainda dentro da meta estipulada pelo CMN.

Taxa Selic e Política Monetária

Para garantir que a inflação se mantenha dentro dos limites desejados, o Banco Central adota como principal ferramenta a taxa básica de juros - Selic - que atualmente está fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A queda na inflação e a desaceleração econômica levaram à manutenção da Selic neste nível por quatro reuniões consecutivas.

O Copom não indicou quando poderá iniciar cortes na taxa. Em comunicado oficial, o BC destacou que o atual cenário econômico apresenta grande incerteza, exigindo cautela na condução da política monetária. Assim sendo, a expectativa é de que a Selic permaneça elevada por um período considerável.

Atualmente, essa taxa encontra-se no maior patamar desde julho de 2006. Após uma queda para 10,5% ao ano em maio do ano passado, os juros foram elevados novamente em setembro de 2024. Desde junho, a Selic tem se mantido em 15% ao ano.

As previsões dos analistas indicam uma possível redução da taxa básica para 12,13% ao ano até o final de 2026. Para os anos seguintes (2027 e 2028), as expectativas são de novos cortes para 10,5% e 9,5% ao ano.

Quando o Copom decide elevar a Selic, seu objetivo é conter uma demanda excessiva; isso impacta diretamente nos preços ao tornar o crédito mais caro e incentivar a poupança. Consequentemente, taxas mais altas podem dificultar o crescimento econômico. Por outro lado, a diminuição da Selic tende a baratear o crédito e estimular tanto a produção quanto o consumo.

Crescimento Econômico e Expectativas do PIB

No mesmo boletim Focus mencionado anteriormente, as instituições financeiras mantiveram sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2,25% para este ano. Para o ano de 2026, espera-se um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 1,8%. As estimativas para 2027 e 2028 são um pouco mais otimistas, com projeções de crescimento em 1,83% e 2%, respectivamente.

A economia brasileira apresentou um crescimento de 0,4% no segundo trimestre deste ano impulsionada pelos setores de serviços e indústria. Em um balanço geral para 2024, o PIB deve fechar com uma alta significativa de 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento e representando a maior expansão desde 2021.

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