Governo planeja “Brasil Soberano 2.0” para apoiar setores ainda afetados por tarifas dos EUA

Nova linha de crédito do BNDES deve socorrer empresas de aço, alumínio e autopeças, que seguem pagando alíquotas elevadas no mercado americano

Alckmin e Mercadante participam de encontro do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial em SP - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 28/02/2026, às 12h10

O governo federal anunciou que está elaborando um novo plano de apoio a setores da economia nacional que continuam sendo afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

A medida, apelidada internamente de “Brasil Soberano 2.0”, tem como objetivo priorizar empresas que enfrentam taxas extras entre 25% e 50%, como as do aço, alumínio e autopeças, garantindo recursos já disponíveis no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sem precisar recorrer ao Tesouro.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo acompanha a evolução das negociações e busca reduzir impactos negativos sobre as exportações. “Alguns produtos estratégicos, como café, carne, celulose, combustível e suco de laranja, já tiveram suas taxas zeradas, mas outros continuam penalizados”, disse.

Segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, a nova linha de crédito se baseará em recursos remanescentes do programa original Brasil Soberano, lançado no ano passado, que ofereceu R$ 30 bilhões às empresas afetadas pelo chamado “tarifaço”, mas teve utilização parcial de cerca de R$ 17 bilhões.

“Os recursos já existem, agora tem que ser modelado. A Fazenda está estudando e diz que já desenhou a iniciativa. Nós estamos aguardando agora para o presidente Lula definir a estratégia, mas os recursos existem. Tivemos uma boa experiência com o Brasil Soberano e faremos um Brasil Soberano 2.0. Essa é a ideia básica. Agora é priorizar esses setores que estão mais penalizados, empresas que estão sendo desvalorizadas de forma mais longev”, disse Mercadante. 

A iniciativa surge após decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos que consideraram ilegais as tarifas impostas globalmente pelo governo americano, ressaltando que apenas o Congresso tem autoridade para instituir impostos e taxas de importação.

Apesar da queda de boa parte das alíquotas, alguns setores ainda enfrentam sobretaxas significativas, e o governo brasileiro avalia que a nova linha de crédito poderá acelerar a recuperação das exportações e estimular a competitividade das empresas nacionais.

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