STF

Flávio Dino autoriza transferência de R$ 19 milhões a povos afetados por Belo Monte

Recurso será destinado ao reforço do Bolsa Família na Volta Grande do Xingu

Decisão do STF visa compensar comunidades indígenas afetadas pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, com R$ 19 milhões - Imagem: Reprodução/Agência Brasil

Gabriela Nogueira Publicado em 02/12/2025, às 18h22

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o governo federal deverá liberar R$ 19 milhões para reforçar os benefícios do Bolsa Família destinados às comunidades indígenas afetadas pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A determinação, assinada pelo ministro Flávio Dino nesta quarta-feira, integra um processo que discute há anos os impactos socioambientais da obra sobre a população tradicional da região.

De acordo com o despacho, o valor será retirado de uma conta que reúne repasses feitos pela Norte Energia entre março e outubro deste ano. A empresa é responsável pela construção e operação da usina, considerada uma das maiores do país e alvo recorrente de denúncias sobre danos ambientais e humanitários.

Ao justificar a medida, Dino afirmou que o montante é essencial para garantir dignidade às famílias que vivem na Volta Grande do Xingu, área diretamente impactada pela diminuição da vazão do rio após a instalação da hidrelétrica. Segundo ele, as comunidades relatam desde 2015 sucessivas perdas relacionadas à pesca, à qualidade da água e à navegação, além da morte recorrente de peixes.

A decisão mais recente dialoga com outro entendimento firmado pelo próprio ministro em março de 2023, quando o STF reconheceu formalmente o direito dos povos indígenas de participar dos lucros obtidos com a exploração hidrelétrica. A ação foi apresentada pela Associação Yudjá Miratu da Volta Grande do Xingu, que acusa o Congresso de omitir-se ao não regulamentar os direitos previstos na Constituição para territórios afetados por atividades minerárias e hídricas.

As aldeias atingidas se concentram nas terras Paquiçamba, Arara da Volta Grande do Xingu e Trincheira Bacajá, todas com históricos de prejuízos acumulados desde a construção da usina. O repasse determinado agora busca aliviar parte das dificuldades enfrentadas e, segundo o ministro, representa um passo necessário enquanto o processo maior sobre compensações segue em análise no Tribunal.

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