Relatório do Tesouro Nacional mostra avanço no estoque da dívida em dezembro sob pressão dos juros
Erika Osti Publicado em 28/01/2026, às 15h42
A dívida pública federal do Brasil encerrou 2025 em R$ 8,6 trilhões, segundo o Relatório Mensal da Dívida (RMD) divulgado nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional. O valor representa alta de quase 2% em relação a novembro, quando o estoque estava em cerca de R$ 8,48 trilhões, e se manteve dentro das metas previstas pelo plano anual de financiamento, que projetou um intervalo entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões para o ano passado.
O avanço no estoque da dívida reflete dois fatores principais: a emissão líquida de títulos públicos e a apropriação de juros acumulados no período. Segundo o relatório, esses componentes contribuíram para que o endividamento do governo federal continuasse a crescer mesmo após meses de controle relativamente mais moderado. A emissão de títulos ocorre quando o governo vende papéis no mercado para financiar o déficit orçamentário, ou seja, quando as despesas superam as receitas.
Em dezembro, a dívida pública federal aumentou 1,82% em comparação com o mês anterior. A evolução nominal indica que os encargos financeiros e as operações de crédito combinadas mantiveram pressão sobre o estoque total acumulado ao longo de 2025. Apesar disso, o resultado ficou dentro das expectativas traçadas no Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro Nacional, que estabelece limites de referência para o estoque da dívida e orienta a estratégia de emissão de papéis ao longo do ano.
A dívida pública federal é composta por títulos emitidos para financiar as atividades do governo central e é um indicador central da saúde das contas públicas. O estoque da dívida pode variar conforme a política fiscal, o comportamento das receitas e despesas do governo, e fatores macroeconômicos como juros e crescimento econômico. Em momentos de maiores custos com juros, por exemplo, a dívida tende a se expandir mais rapidamente, pois parte do endividamento é resultado da capitalização desses custos.
Especialistas em economia costumam acompanhar de perto a trajetória da dívida pública federal, porque seu nível e sua evolução influenciam a percepção de risco dos investidores, o custo de financiamento do governo e as políticas fiscais adotadas nos anos seguintes. O fechamento de 2025 com a dívida em R$ 8,6 trilhões confirma a continuidade de uma trajetória de crescimento que vinha sendo observada ao longo do ano.