Embora o consumo das famílias tenha aumentado, fatores como inflação e política monetária restritiva limitam uma recuperação mais forte
Gabriela Thier Publicado em 30/05/2025, às 14h55
No primeiro trimestre de 2025, a economia brasileira registrou um crescimento de 1,4% em relação ao trimestre anterior, estabelecendo um novo recorde no Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do país tem apresentado aumentos sucessivos há 14 trimestres, desde o final de 2021.
Os setores da agropecuária e dos serviços também se destacaram neste período, alcançando níveis recordes. Os serviços, que representam uma parte significativa da economia brasileira, têm mantido crescimento por 15 trimestres consecutivos, desde o terceiro trimestre de 2021. Em termos de demanda, todos os principais componentes, incluindo consumo das famílias, gastos do governo e exportações, mostraram crescimento.
Em contraste, a indústria e os investimentos ainda não recuperaram os níveis máximos atingidos em 2013. A formação bruta de capital fixo está atualmente 6,7% abaixo do patamar observado no segundo trimestre daquele ano, enquanto a indústria opera 4,7% aquém dos níveis do terceiro trimestre de 2013. A pesquisadora Rebeca Palis destaca: "A indústria é a única das grandes três atividades econômicas que permanece abaixo do seu pico".
O IBGE aponta que o aumento do PIB entre o quarto trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2023 foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que cresceu 12,2%. Rebeca explica que "a agro tem dois efeitos principais este ano: um é a questão climática favorável e o outro é o aumento significativo nas colheitas, especialmente a soja, nossa principal lavoura, concentradas no primeiro semestre". Além da soja, outras culturas como milho e arroz também estão apresentando crescimento.
No setor de serviços, que compõe cerca de 70% da economia brasileira, houve um crescimento de 0,3% no trimestre anterior. As atividades de informação e comunicação se destacaram com um aumento de 3%. Por outro lado, a indústria enfrentou uma leve retração de -0,1%, impactada negativamente pela construção civil (-0,8%) e pela indústria de transformação (-1%).
Rebeca Palis observa que esses setores estão enfrentando as consequências da elevada taxa básica de juros (Selic). Do ponto de vista da demanda, todos os componentes mostraram alta no primeiro trimestre em comparação ao anterior: consumo das famílias (1%), formação bruta de capital fixo (3,1%), exportações (2,9%) e gastos do governo (0,1%).
A pesquisadora conclui: "Embora o consumo das famílias tenha crescido, ainda existem fatores limitantes como a inflação persistente e uma política monetária restritiva. Contudo, notamos uma melhora no mercado de trabalho e programas governamentais de transferência de renda beneficiando as famílias. O crédito também continua em ascensão, apesar dos custos mais elevados. Portanto, embora haja elementos positivos contribuindo para o crescimento do consumo das famílias, sua recuperação poderia ser mais robusta sem as restrições monetárias atuais".