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Copom mantém Selic em 15% para enfrentar incertezas econômicas

Inflação acima da meta preocupa e pode exigir novas medidas

Inflação acima da meta preocupa e pode exigir novas medidas - Imagem: Reprodução / Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 23/09/2025, às 15h10

Nas últimas reuniões realizadas nos dias 16 e 17 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15%. Essa decisão foi anunciada na ata divulgada nesta terça-feira (23) e reflete as incertezas do cenário econômico internacional, além de sinais de desaceleração do crescimento interno.

Após um período de aumento acentuado das taxas, o Comitê optou por parar este ciclo para avaliar os impactos das mudanças anteriores. A intenção expressa é que a Selic permaneça nesse nível por um tempo considerável, visando garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.

A ata ressalta que "o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária". O Comitê se comprometeu a permanecer atento e a ajustar suas estratégias conforme necessário, não descartando a possibilidade de retomar o ciclo de alta dos juros se a situação exigir.

Considerações sobre Cenários Econômicos

No que diz respeito aos fatores externos, o Copom destaca a conjuntura econômica dos Estados Unidos e as tarifas impostas pelo país como influências significativas sobre a economia brasileira. O documento observa que essas questões externas têm tido um impacto maior do que os desafios estruturais que afetam menos a formação dos preços.

O debate sobre possíveis cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve e o ritmo de crescimento da economia americana são temas em destaque. O Copom também menciona que as incertezas relacionadas às tarifas e ao aumento dos gastos fiscais permanecem como riscos de longo prazo que contribuem para a instabilidade do cenário econômico.

No âmbito doméstico, o comitê aponta uma tendência de moderação no crescimento da atividade econômica brasileira. Apesar das tentativas de estímulo fiscal e crédito, não foram observados impactos significativos que alterassem essa trajetória. As análises setoriais mensais corroboram a ideia de um crescimento gradual em desaceleração.

Expectativas em Relação à Inflação

Ainda segundo o Copom, as expectativas inflacionárias estão acima da meta em todos os horizontes analisados, caracterizando um cenário inflacionário adverso. Em função disso, a decisão de manter a Selic em 15% foi tomada com o objetivo de avaliar as condições atuais antes de qualquer nova movimentação.

A Selic é uma ferramenta crucial utilizada pelo Banco Central para alcançar as metas de inflação. O aumento da taxa visa conter a demanda aquecida e o aumento dos preços, encarecendo o crédito e estimulando a poupança. Por outro lado, uma redução tende a facilitar o acesso ao crédito e estimular tanto a produção quanto o consumo, embora possa dificultar o controle sobre a inflação.

Com essa manutenção da Selic, o Copom projeta que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2025 com uma variação de 4,8%, superando assim a margem tolerável estabelecida pela meta do Conselho Monetário Nacional (CNM), fixada em 3% com uma tolerância entre 1,5 ponto percentual acima e abaixo.

As previsões para 2026 indicam uma inflação de 3,6%, com expectativas de queda para 3,4% no primeiro trimestre de 2027, aproximando-se do centro da meta estipulada.

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