O rendimento médio dos trabalhadores brasileiros subiu para R$ 3.457, com a massa salarial total alcançando R$ 354,6 bilhões
Gabriela Thier Publicado em 27/06/2025, às 14h58
No trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa de desemprego no Brasil alcançou 6,2%, um resultado histórico que representa o menor índice registrado desde o início da série histórica em 2012. Este número está extremamente próximo do menor patamar já documentado, que foi de 6,1%, alcançado no trimestre que terminou em novembro de 2024.
As informações foram divulgadas na última sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). No trimestre anterior, encerrado em fevereiro, a taxa de desemprego era de 6,8%, enquanto que no mesmo período do ano passado, o índice era de 7,1%.
Além da taxa recorde, outros indicadores também apresentam resultados positivos. O IBGE reportou avanços significativos no número de trabalhadores com carteira assinada, nos rendimentos dos trabalhadores e na massa salarial total do país. Ademais, o índice de desalentados — pessoas que não buscam emprego devido à falta de motivação — é o menor registrado desde 2016.
Com uma taxa de desocupação de 6,2%, cerca de 6,8 milhões de brasileiros estão sem emprego. Esse número representa uma diminuição de 12,3% em relação ao ano anterior, equivalente a uma redução de aproximadamente 955 mil pessoas buscando trabalho. O Brasil fechou o trimestre com um total de 103,9 milhões de pessoas empregadas, o que significa um aumento de 1,2% comparado ao trimestre anterior.
Condições Econômicas e Política Monetária
Desde setembro do ano passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem adotado uma política de aumento da taxa Selic para controlar a inflação, que atualmente se encontra acima da meta estipulada pelo governo. Nos últimos doze meses, a inflação oficial acumulou 5,32%, superando o limite tolerável que é até 4,5%.
A elevação das taxas de juros — que atualmente está fixada em 15% ao ano — encarece o crédito e desestimula tanto o consumo quanto os investimentos produtivos. Essa estratégia visa conter a inflação; no entanto, pode ter efeitos adversos sobre a economia e os níveis de emprego.
Trabalho Formal e Informal
A Pnad analisa o mercado de trabalho para indivíduos com idade a partir dos 14 anos e considera diversas formas de ocupação, incluindo empregos formais e informais. A pesquisa abrange cerca de 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal. Apenas aqueles que efetivamente buscam emprego são considerados desocupados.
O número total de trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu um novo recorde: 39,8 milhões. Este valor representa um crescimento anual de 3,7%. O IBGE também estima que a taxa de informalidade entre os trabalhadores permaneceu em torno de 37,8%, contabilizando aproximadamente 39,3 milhões de informais. Este índice mostra uma queda em comparação ao trimestre anterior (38,1%) e ao mesmo período do ano anterior (38,6%).
A estabilidade no número de trabalhadores sem carteira assinada (13,7 milhões) aliada ao crescimento no número de autônomos formalizados com CNPJ (um acréscimo de 249 mil) contribuiu para a redução da informalidade.
Atualmente, existem cerca de 26,1 milhões de trabalhadores autônomos no Brasil — o maior número já registrado. Isso representa aproximadamente 25,2% do total da força laboral. Dentre esses autônomos, cerca de 26,9% estão formalizados com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).
Segundo Kratochwill, especialista consultado sobre a pesquisa: "As pessoas estão percebendo um mercado mais favorável e há mais oportunidades disponíveis. Aqueles que não conseguiram emprego como empregados formais têm optado pelo trabalho autônomo devido à percepção das oportunidades oferecidas."
Diminuição do Número de Desalentados
A pesquisa também indica uma redução significativa no número de trabalhadores desalentados, agora estimado em 2,89 milhões — o menor nível desde 2016. Segundo William Kratochwill: "A melhoria contínua nas condições do mercado está gerando mais oportunidades para aqueles que estavam desmotivados anteriormente".
Dentre os setores analisados pelo IBGE, apenas o segmento relacionado à administração pública e serviços sociais apresentou crescimento no número total de ocupações (+3,7% em relação ao trimestre encerrado em fevereiro), fato que pode ser atribuído à proximidade do início do ano letivo.
Crescimento dos Rendimentos
O rendimento médio dos trabalhadores brasileiros atingiu R$ 3.457 no último trimestre — um aumento significativo de 3,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A massa total dos rendimentos chegou a R$ 354,6 bilhões, disponibilizando aos trabalhadores recursos que podem ser utilizados para movimentar a economia ou serem poupados.
O aquecimento do mercado formal resultou em um aumento no número de contribuintes para instituições previdenciárias, atingindo a marca recorde de 68,3 milhões.