Medida visa zerar imposto de importação de arroz de fora do Mercosul e estabilizar preços após tragédias climáticas no Rio Grande do Sul
Marina Milani Publicado em 21/05/2024, às 14h21
O governo brasileiro, através do Ministério da Agricultura, decidiu zerar o imposto de importação do arroz para países fora do Mercosul após constatar uma especulação nos preços do cereal por parte dos países do bloco. A intenção inicial era adquirir arroz dos vizinhos do Mercosul para suprir a demanda interna e controlar os preços após a tragédia climática no Rio Grande do Sul, estado responsável por 70% da produção nacional de arroz. No entanto, os preços propostos pelo Mercosul subiram em até 30%, o que levou o ministro Carlos Fávaro a suspender o leilão de compra, que estava marcado para esta terça-feira (21).
A decisão de zerar as taxas de importação, válida até 31 de dezembro de 2024, foi tomada após uma reunião de emergência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Com isso, o governo pretende diversificar as fontes de importação, permitindo que outros países compitam em condições mais igualitárias com os membros do Mercosul. A Tailândia, por exemplo, já anunciou a intenção de exportar 75 mil toneladas de arroz para o Brasil.
O leilão de compra do arroz, que seria realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foi suspenso sem nova data definida. Essa medida visa assegurar a oferta no mercado interno e evitar altas nos preços ao consumidor, especialmente diante das dificuldades logísticas causadas pelas inundações no Rio Grande do Sul.
Apesar da oposição de produtores nacionais, que argumentam que a produção colhida é suficiente para garantir o abastecimento, o governo justifica a medida como necessária para estabilizar os preços e resolver problemas logísticos e de frete agravados pela catástrofe no Rio Grande do Sul. Além disso, o governo anunciou a suspensão de parcelas de operações de crédito rural por mais de 100 dias e a entrega de máquinas e equipamentos às prefeituras das áreas mais afetadas.
O ministro Fávaro planeja uma visita às regiões mais atingidas a partir dos dias 28 e 29 de maio, começando por Santa Cruz do Sul, para avaliar de perto as necessidades dos produtores e planejar ações de reconstrução.