EUA

Alckmin celebra redução de tarifas dos EUA, mas alerta para distorções

O vice-presidente observa que a eliminação da tarifa de 10% no suco de laranja pode gerar um aumento significativo nas exportações

O vice-presidente observa que a eliminação da tarifa de 10% no suco de laranja pode gerar um aumento significativo nas exportações - Imagem: Reprodução / Fabio Rodrigues- Pozzebom / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 15/11/2025, às 16h23

No último sábado (15), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, avaliou positivamente a decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas de importação sobre aproximadamente 200 produtos alimentícios. Segundo ele, essa medida é um "passo na direção correta". No entanto, Alckmin alertou que a manutenção da sobretaxa de 40% especificamente para produtos brasileiros ainda cria distorções significativas, dificultando as exportações do país.

O vice-presidente mencionou que, enquanto outros países tiveram reduções de 10% nas tarifas, o Brasil permanece com uma taxa de 40%, após uma redução a partir de um patamar anterior de 50%. Ele destacou o impacto positivo da eliminação da tarifa de 10% sobre o suco de laranja, que pode resultar em um aumento de US$1,2 bilhão nas exportações brasileiras. "A distorção precisa ser corrigida", afirmou Alckmin.

Além disso, ele observou que alguns concorrentes, como o Vietnã no setor do café, conseguiram reduções mais favoráveis. "Embora o café tenha visto uma redução de 10%, há concorrentes que conseguiram cortes de até 20% nas tarifas", acrescentou.

A declaração de Alckmin se deu após o governo dos EUA anunciar a revogação da tarifa global conhecida como "taxa de reciprocidade", que foi implementada em abril deste ano. Para os países latino-americanos, essa taxa era inicialmente de 10%, mas com a alíquota adicional de 40% aplicada ao Brasil, produtos como café, carne bovina e frutas viram suas tarifas reduzidas de 50% para 40%.

Em relação ao contexto diplomático, Alckmin atribuiu os avanços recentes às conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em outubro, além das reuniões entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. "A última ordem executiva do presidente Trump foi um sinal positivo", declarou o vice-presidente.

Alckmin também mencionou que os Estados Unidos continuam com superávit na balança comercial bilateral, importando mais do Brasil do que exportando. "O Brasil não é problema; é solução", concluiu.

Com a retirada da tarifa global, Alckmin informou que a proporção das exportações brasileiras para os EUA isentas de sobretaxas aumentou de 23% para 26%, representando cerca de US$ 10 bilhões. Essa mudança ocorre após um período onde o déficit brasileiro na balança comercial com os EUA cresceu em 341% entre agosto e outubro.

Os efeitos das mudanças tarifárias variam conforme o setor:

A administração americana justificou a redução tarifária como uma ação para mitigar a inflação alimentar e equilibrar a oferta interna. Em seu pronunciamento, Trump caracterizou a alteração como "um pequeno recuo" e indicou que não considera necessárias novas reduções no curto prazo, antecipando ainda uma queda nos preços do café.

Alckmin também destacou outros avanços nas negociações comerciais. Citou a eliminação da tarifa global de 10%, bem como a revogação da sobretaxa de 40% sobre ferro-níquel e celulose em setembro. Mencionou ainda reduções nas tarifas sobre madeira macia e serrada e móveis no início de outubro. As alterações na madeira foram feitas sob a Seção 232 da Lei de Comércio dos EUA com base na proteção da segurança comercial do país, afetando todos os países igualmente.

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