Comportamento do Consumidor

Brasileiros reduzem consumo de arroz e feijão a níveis históricos

Pesquisa mostra mudança nos hábitos alimentares e alerta para impactos na saúde da população

Com a vida urbana acelerada, muitos brasileiros abandonam a alimentação tradicional, optando por alternativas rápidas e práticas - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 05/10/2025, às 11h37

O cenário alimentar brasileiro enfrenta uma transformação preocupante, com a diminuição significativa do consumo de arroz e feijão, dois dos pilares da dieta nacional. Pesquisadores da área da saúde expressam preocupação em relação a essa mudança.

Tradicionalmente, o prato do brasileiro é reconhecido pela combinação de arroz e feijão, mas essa preferência vem diminuindo. Dados recentes indicam que os níveis de consumo desses grãos caíram para os menores índices desde os anos 1960.

Julia Junqueira Guimarães, consultora de viagens, compartilha sua experiência: "O meu intervalo entre a faculdade e o trabalho é muito curto, então optei por alternativas mais práticas". Essa realidade reflete um padrão crescente entre muitos brasileiros que estão abandonando a clássica dupla.

A proprietária de restaurante Débora Araújo Cruz também notou essa tendência. Segundo ela, "embora o arroz e o feijão estejam sempre no início do buffet, os clientes frequentemente optam por outras combinações nutricionais". A observação ressalta como a tradicional refeição está perdendo espaço em favor de alternativas mais rápidas.

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) monitora o consumo desses alimentos há mais de seis décadas. O pico do consumo médio anual de arroz foi registrado entre 1991 e 2000, com 47 quilos por pessoa. Desde então, esse número tem apresentado uma queda acentuada, alcançando apenas 34 quilos no ano passado, o menor índice desde o início das medições.

No que diz respeito ao feijão, o maior consumo ocorreu entre 1961 e 1970, com uma média de quase 23 quilos por pessoa. Para 2024, as projeções também indicam um novo recorde negativo na série histórica.

O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Alcido Wander, destaca que a mudança nos hábitos alimentares da população é um fator crucial para essa diminuição. Ele observa: "Nos anos 60 e 70, as famílias eram maiores e havia uma cultura de cozinhar em casa. Com a vida urbana acelerada atual, muitas pessoas recorrem a opções alimentares rápidas disponíveis em diversos estabelecimentos".

A ausência desses grãos na alimentação diária é motivo de apreensão para especialistas em saúde. O feijão, em particular, é considerado um indicador importante de uma dieta equilibrada. A redução no seu consumo pode estar relacionada ao aumento do risco de doenças crônicas.

A médica e professora da Escola de Enfermagem da UFMG, Débora Malta, enfatiza: "Arroz e feijão são essenciais para a prevenção da obesidade e das doenças crônicas não transmissíveis. É fundamental ressaltar a importância de retornar à alimentação tradicional brasileira; essa combinação é insubstituível".

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