COLUNA

Viver mais e viver melhor: O que podemos fazer para garantir um futuro saudável desde o início da vida

Evento Estadão Summit Saúde 2025 teve como tema central “Os desafios de viver mais”

Palestra Estadão Summit Saúde 2025 - Imagem: Reprodução / Gabriella Andrade

Gabriella Andrade Publicado em 06/11/2025, às 09h01

O Estadão Summit Saúde 2025, realizado no dia 21 de outubro no hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo, reuniu especialistas, pesquisadores, representantes do setor público e privado e líderes da indústria farmacêutica para discutir um tema central: “Os desafios de viver mais”. Em um cenário onde a longevidade cresce em todo o mundo, o evento buscou olhar além dos números e refletir sobre o que realmente significa viver mais e, principalmente, viver melhor.

Entre os painéis que marcaram o encontro, um dos grandes destaques foi a conferência de abertura, “Como os primeiros mil dias de vida influenciam no envelhecimento”, ministrada pela professora Alicia Matijasevich, da Universidade de São Paulo (USP).

A palestra reforçou a importância dos cuidados com a saúde desde a gestação até os dois primeiros anos de vida da criança — período conhecido como “os mil dias” —, fundamental para o desenvolvimento físico e cognitivo e para a prevenção de doenças crônicas na vida adulta. Segundo a pesquisadora, investir em políticas públicas de nutrição, atenção pré-natal e suporte à primeira infância é uma das estratégias mais eficazes para garantir um envelhecimento com qualidade.

Outro tema que ganhou destaque foi o uso da inteligência artificial no rastreamento e diagnóstico precoce do câncer, debatido no painel “Câncer: como garantir o rastreamento da doença?”. Especialistas apresentaram como algoritmos de IA vêm auxiliando médicos na detecção de tumores em estágios iniciais, por meio da análise de exames de imagem e dados clínicos com maior precisão e rapidez.

Apesar do entusiasmo com as possibilidades tecnológicas, os debatedores também alertaram para a necessidade de infraestrutura adequada e de políticas públicas que ampliem o acesso a essas ferramentas em toda a rede de saúde, evitando que a inovação aprofunde desigualdades já existentes no sistema.

A tecnologia, segundo os especialistas, deve ser vista como uma aliada, e não um substituto do olhar humano e da medicina preventiva. A combinação entre inovação tecnológica, capacitação profissional e ampliação do acesso pode transformar a forma como o Brasil enfrenta o câncer nos próximos anos.

Outros debates reforçaram a importância de um olhar integral para a saúde. No painel “Enfrentando a epidemia de sedentarismo”, discutiu-se o impacto do estilo de vida nas doenças crônicas e a urgência de estimular hábitos mais ativos, tanto nas cidades quanto nos ambientes de trabalho.

Em outro painel, os palestrantes aprofundaram a discussão sobre como as mudanças ambientais impactam diretamente a saúde humana. Eles destacaram que a poluição do ar, a degradação de ecossistemas e as alterações climáticas contribuem para o aumento de doenças respiratórias, cardiovasculares e infecciosas, além de afetarem a saúde mental da população. O debate enfatizou que proteger o meio ambiente não é apenas uma questão ecológica, mas uma estratégia essencial de saúde pública, pois a qualidade do ar, da água e do solo influencia diretamente o bem-estar e a longevidade das pessoas. A mensagem central do painel foi clara: políticas ambientais e saúde precisam caminhar juntas para promover comunidades mais saudáveis e resilientes.

Com uma programação diversa, o evento reafirmou a necessidade de um olhar coletivo sobre o futuro da saúde. A longevidade, como destacaram os palestrantes, não depende apenas de avanços médicos, mas também de educação, políticas públicas e consciência social.

Ao promover reflexões sobre temas que vão da infância ao envelhecimento e da tecnologia à sustentabilidade, o Estadão Summit Saúde 2025 consolidou-se como um espaço essencial de debate sobre o futuro da saúde no Brasil. Mais do que discutir números e tendências, o encontro trouxe uma mensagem clara: para viver mais e melhor, é preciso começar desde o início — cuidando dos primeiros mil dias de vida, apostando na prevenção e usando a tecnologia de forma humana e inclusiva para garantir qualidade de vida em todas as fases da existência.

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