Mudança antecipa impostos, pressiona o caixa e cria oportunidade para empresas preparadas ocuparem o espaço deixado por concorrentes despreparados
Renata Pontes Publicado em 09/02/2026, às 11h26
Imagine uma empresa como uma família que sempre pagou as contas no fim do mês. Não porque sobrava dinheiro — mas porque dava um jeito.
Um mês atrasava, no outro parcelava, no outro empurrava.
Funcionava.
Até o dia em que a regra mudou e o dinheiro passou a sair antes de chegar na conta.
É exatamente isso que a reforma tributária está fazendo com milhares de empresas brasileiras.
O alerta é de Renata Pontes, especialista financeira em lucro, caixa e decisão empresarial, que acompanha o impacto real da transição tributária sobre pequenas e médias empresas.
“A reforma tributária não cria um problema novo. Ela acelera um problema antigo: donos de empresas que pensam apenas em vender mais, mas nunca profissionalizaram o financeiro.”
Por anos, muitos empresários se acostumaram a operar com uma falsa sensação de controle. O imposto existia, mas vinha em forma de guia.
Era possível escolher quando pagar.
Agora, a lógica muda.
“O imposto deixa de ser um boleto e vira um débito automático”, explica Renata. “Ele acontece na transação. Você não negocia com o sistema.”
Na prática, isso significa antecipação de cerca de 45 dias no recolhimento de tributos para muitas empresas — algo que exige capital de giro real, margem e estrutura.
Empresas que já operavam no limite vão sentir primeiro.
Renata conta que vê o mesmo padrão se repetir em diferentes setores.
Empresas que faturam bem, têm equipe, vendem todos os dias — mas vivem com o caixa curto.
É como um comerciante que vende muito, mas guarda o dinheiro na mesma gaveta de onde paga tudo.
Enquanto ninguém mexe, parece que funciona.
Quando a retirada começa a ser automática, o problema aparece.
“Quando o empresário não decide, o caixa decide por ele. E quase sempre decide pelo pior caminho.”
Segundo a especialista, vender mais não resolve um problema estrutural. Trabalhar mais também não.
“Esforço não corrige decisão ruim. Crescimento sem estrutura aumenta risco.”
Apesar do alerta, Renata reforça que a reforma também abre uma oportunidade clara. Toda mudança estrutural cria vencedores e perdedores.
“Quando algumas empresas quebram, espaço de mercado fica livre. Quem se prepara ocupa.”
Empresas que ajustarem preço, margem, capital de giro e processos financeiros agora tendem a sair fortalecidas.
“As preparadas vão ganhar eficiência, negociar melhor e crescer onde outras não conseguiram sobreviver.”
Para ela, o cenário não premia quem corre mais, mas quem decide melhor.
Renata Pontes é especialista financeira, responsável por diagnósticos financeiros profundos, definição de estratégias e profissionalização da gestão de empresas.
É CEO do grupo Webliv, sócia de Conrado Adolpho e sócia da MLS, ao lado de Flávio Augusto, Caio Carneiro e Joel Jota.
Também é fundadora do Elas Lucram, grupo focado em mulheres donas de empresa.
Ao longo de sua trajetória, Renata foi responsável pelo planejamento financeiro e estratégico de empresas clientes do grupo, já tendo atendido mais de 70 mil empresas e mentorado individualmente mais de 200 empresários, sempre com foco em lucro real, caixa saudável e decisões sustentáveis sob risco.
“Empresa não quebra de repente. Ela avisa no caixa. A reforma só faz o aviso ficar mais alto.”