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Trump quer fim da guerra em Gaza antes de sua posse, apontam fontes próximas

- Imagem: Reprodução / X / @TheRichFromCali

Agenor Duque Publicado em 12/11/2024, às 17h53

O ex-presidente dos Estados Unidos e agora presidente eleito republicano, Donald Trump, exigiu que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, finalize a guerra em Gaza até sua posse. Segundo fontes próximas a Trump, o candidado vencedor do pleito eleitoral que tomará posse no início de 2025 fez esse pedido durante um encontro com Netanyahu em Mar-a-Lago, na Flórida, em julho de 2024, antes das eleições que lhe reconduziram à Casa Branca, e reiterou sua posição diversas vezes nas últimas semanas, depois de ser eleito.

Embora Trump tenha pressionado publicamente para que Israel acabe com a guerra de forma rápida e decisiva, a novidade é o cronograma atrelado a essa solicitação, que exige uma resolução antes de 20 de janeiro de 2025, data da posse. Um ex- -assessor do governo Trump detalhou que essa exigência de um fim formal da guerra, no entanto, não exclui a possibilidade de Israel manter atividades de segurança na região, desde que o conflito em si seja declarado encerrado. A liberação dos reféns em Gaza também foi incluída nas demandas de Trump, que advertiu que qualquer resistência à soltura dos reféns americanos “terá um preço alto”.

Netanyahu, contudo, indicou recentemente que Israel não está pronto para encerrar o conflito. Em declarações vazadas de uma reunião do partido Likud, o primeiro-ministro afirmou não poder atender à exigência do Hamas de um cessar- -fogo em troca da libertação dos reféns. Israel, até o momento, tem recusado um acordo com o Hamas para pôr fim ao conflito. Em meio ao impasse, altos funcionários do governo israelense manifestaram preocupação com as pressões de Trump, temendo que uma falha em atender ao pedido do novo presidente americano prejudique as relações quando ele assumir a Casa Branca.

Intensificação das operações e resistência de Israel a negociações de paz

Na tentativa de ampliar sua segurança ao redor da Faixa de Gaza, o exército israelense intensificou ações militares, especialmente no norte do enclave, onde controla áreas estratégicas. A expulsão forçada de civis das áreas de Beit Hanoun, Beit Lahia e Jabalia, anunciada pelo Exército de Defesa de Israel (IDF), é uma medida para impedir o retorno da população local a essas áreas. Tal estratégia tem sido apoiada pela ala ultranacionalista de Netanyahu, com membros de sua coalizão defendendo a construção de assentamentos em Gaza.

Além disso, líderes ultranacionalistas israelenses têm proposto a evacuação de civis palestinos para o deserto do Sinai, no Egito, embora tal medida não tenha sido adotada formalmente. Essas iniciativas visam evitar a retomada do poder pelo Hamas, mas também se alinham a um plano mais amplo de Netanyahu, que prevê a anexação da Cisjordânia e o fim da presença da UNRWA, agência da ONU para refugiados palestinos.

A estratégia tem enfrentado resistência internacional e tem sido criticada pela comunidade palestina. Ainda assim, Netanyahu conta com o apoio de Trump, que anteriormente reconheceu a soberania israelense sobre Jerusalém e as Colinas de Golã, em um rompimento com a política americana tradicional.

Posicionamento de Trump e impacto sobre o futuro do Oriente Médio

Trump adotou, em sua campanha, uma postura de “América em primeiro lugar”, e seu vice-presidente eleito, JD Vance, declarou que o objetivo é encerrar a guerra em Gaza rapidamente para que a administração possa focar na contenção do Irã. Vance também sugeriu que, em caso de um ataque a instalações nucleares iranianas, os EUA responderiam com força máxima, mas que tropas americanas só seriam enviadas se absolutamente necessário.

A abordagem dura de Trump contrasta com as tentativas de negociação do atual presidente Joe Biden, que tem procurado limitar as ações militares de Israel. Para Netanyahu, uma vitória de Trump representa a possibilidade de concluir acordos regionais históricos, possivelmente até com a Arábia Saudita, visando fortalecer a posição de Israel contra a influência do Irã.

Ceticismo e reações de palestinos e israelenses

A reeleição de Trump é vista com apreensão pelos palestinos e, enquanto alguns expressam esperança de que ele possa, de alguma forma, forçar um fim ao conflito, muitos duvidam do impacto positivo de sua política. Sabri Saidam, membro do partido Fatah, declarou que as promessas de paz que vêm às custas dos direitos palestinos serão apenas um estímulo para futuros confrontos.

Em Israel, a vitória de Trump trouxe reações mistas. O ex-embaixador israelense Michael Oren lembrou o histórico de Trump de apoio a Israel, mas alertou que uma aliança com ele pode ser instável devido
ao seu temperamento imprevisível. Para Oren, Netanyahu precisará equilibrar as exigências de Trump com as demandas de sua coalizão, composta de facções ultranacionalistas que resistem a um cessar-fogo imediato.

Implicações regionais e considerações finais

Em suma, a pressão de Trump para que Netanyahu encerre a guerra até sua posse em janeiro de 2025 adiciona uma camada de complexidade à relação já intrincada entre Israel e Estados Unidos. Embora Trump tenha sido descrito como “o maior amigo de Israel na Casa Branca”, os desafios logísticos e políticos para atender a suas demandas são significativos. Com um cenário interno frágil e opositores como o Irã ganhando influência regional, Netanyahu terá que lidar com o que pode ser uma das decisões mais desafiadoras de sua carreira política, equilibrando suas políticas de coalizão interna com as expectativas internacionais e a demanda de Trump.

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