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O fim de semana da decisão global: entre a guerra e o congelamento diplomático

- Imagem: ChatGPT

Agenor Duque Publicado em 31/01/2026, às 08h00

O Oriente Médio chegou a um ponto de ruptura. As próximas horas podem definir se o mundo entra em uma guerra de grandes proporções ou em um congelamento diplomático que apenas adiará um conflito ainda maior.

Navios chineses partiram da base de Hainan em direção ao Golfo Pérsico. Ao mesmo tempo, Irã, Rússia e China se preparam para um exercício militar conjunto no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do planeta, por onde passa grande parte do petróleo mundial. A região se transformou em um tabuleiro de alta tensão, onde qualquer erro pode ter consequências globais.

Nos bastidores, o tempo é o maior inimigo. Os Estados Unidos enfrentam uma janela curta para tomar uma decisão. Atacar antes do exercício significa uma escalada imediata. Atacar durante o treinamento militar envolve o risco de um incidente direto com China e Rússia. Não atacar agora significa perder o momento e empurrar qualquer ação para depois do Ramadã.

O Ramadã é o mês sagrado do Islã, com cerca de 40 dias de jejum e orações, período em que presidentes americanos historicamente evitam iniciar guerras contra países muçulmanos para não provocar uma crise diplomática com bilhões de pessoas ao redor do mundo.

A mudança de discurso de Donald Trump não é coincidência. O foco saiu dos protestos internos no Irã e voltou ao programa nuclear. Relatórios de inteligência indicam que o regime iraniano está no momento mais frágil desde 1979, mas também confirmam que o urânio enriquecido não foi destruído. Ele foi escondido ainda mais fundo, em instalações subterrâneas que bombas não conseguem alcançar.

É por isso que uma opção extremamente grave passou a ser discutida: operações terrestres com forças especiais para entrar nesses locais e destruí-los por dentro. Guerras modernas não se resolvem apenas com ataques aéreos. Instalações escavadas a dezenas de metros dentro de montanhas não caem somente com bombas.

Um sinal claro de que uma grande operação está sendo preparada é a presença de um avião militar especializado em comunicação já sobrevoando a região. Essa aeronave funciona como um “roteador gigante” no céu, interceptando e conectando comunicações, internet, dados e comandos militares em tempo real. Quando esse tipo de avião é posicionado, não se trata de treinamento, mas de preparação para uma operação de grande escala.

Israel, no centro desse conflito, se prepara para o pior cenário. A avaliação é que, se o Irã for atacado, a resposta virá com mísseis e drones diretamente contra cidades israelenses, não apenas contra bases militares. Estoques de defesa antiaérea foram consumidos em conflitos anteriores, e uma cúpula defensiva internacional começa a ser montada às pressas.

Dentro do Irã, o regime reage com força total: prisões em massa, apagões de internet, toque de recolher e repressão. Ao mesmo tempo, Teerã ameaça que qualquer ataque não ficará restrito ao Oriente Médio, levantando riscos diretos para a Europa e para interesses ocidentais.

As próximas 72 horas são decisivas. Se nada acontecer agora, o mundo entra em um silêncio armado. A guerra não desaparece, apenas é adiada. O relógio está correndo. E o custo dessa decisão pode ser alto demais.

Agenor Duque
O Diário de São Paulo

Estados Unidos China GUERRA Oriente Médio

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