O diretor da Polícia Federal (PF), Rogério Galloro, disse nesta sexta-feira (21) que já foram realizadas 32 operações para tentar localizar o italiano Cesare

Redação Publicado em 21/12/2018, às 00h00 - Atualizado às 16h07
O diretor da Polícia Federal (PF), Rogério Galloro, disse nesta sexta-feira (21) que já foram realizadas 32 operações para tentar localizar o italiano Cesare Battisti, considerado foragido da Justiça há uma semana.
Na semana passada, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão do italiano atendendo a um pedido da Interpol. No dia seguinte, o presidente Michel Temer assinou o decreto que autoriza a extradição de Battisti para a Itália.
“Já foram realizadas mais de 32 operações. Nenhuma delas logrou êxito”, afirmou Galloro em entrevista à imprensa.

Italiano Cesare Battisti é considerado foragido da Justiça
Galloro afirmou que a polícia tem “pistas” de onde ele possa estar e disse estar confiante de que será preso.
“Os protocolos foram todos acionados. Os protocolos de busca de fugitivos nacionais e internacionais. Nós temos, sim, algumas pistas. Obviamente, não posso adiantar nada aqui”, explicou.
E continuou: “Acredito, sim, que ele vai ser encontrado. Não sei se no território brasileiro, mas ele será encontrado em razão dessa cooperação que existe entre as forças brasileiras e as internacionais”.
Ele ponderou que, quando a prisão foi decretada, a Polícia Federal não fazia a vigilância dele porque até aquele momento não havia nada contra ele.
“A Polícia Federal já prendeu o Battisti três vezes no Brasil e em todas as vezes ele foi liberado. No momento em que foi decretada a prisão, era um cidadão que nada pesava contra ele, a Polícia Federal não podia sequer fazer a vigilância dele. Não podia dispender recursos da União com um indivíduo que estava legalmente no país”, disse.
Segundo Galloro, várias polícias internacionais foram acionadas para localizar Battisti, além da Interpol, das polícias da América do Sul, do Centro de Cooperação Policial Internacional, que funciona na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
“Se considerar o nosso histórico, em 2015 nós batemos o recorde de prisão de foragidos internacionais no Brasil e temos mantido esse número bastante alto. Tivemos muito sucesso em várias outras operações de fugitivos, como o caso do [Henrique] Pizzolato e do [Roger] Abdelmassih e tantos outros”, afirmou.

Cesare Battisti — Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Na semana passada, o ministro Luiz Fux, do STF, determinou a prisão de Battisti atendendo a um pedido da Interpol. No dia seguinte, o presidente Michel Temer assinou o decreto de extradição de Cesare Battisti.
A defesa de Battisti recorreu ao STF e reiterou o pedido para o cliente não ser extraditado. Segundo a Polícia Federal, Battisti está em local “incerto” e é considerado foragido.
Battisti foi condenado à prisão perpétua em 1993 sob a acusação de ter cometido quatro assassinatos na Itália nos anos 1970.
Cesare Battisti fugiu da Itália, viveu na França e chegou ao Brasil em 2004. Ele foi preso no Rio de Janeiro em março de 2007 e, dois anos depois, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu refúgio.
Em 2007, a Itália pediu a extradição dele e, no fim de 2009, o STF julgou o pedido procedente, mas deixou a palavra final ao presidente da República. Na época, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou a extradição.
No passado, o governo italiano pediu ao presidente Michel Temer que o Brasil revisasse a decisão sobre Battisti, e no mês passado a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo que desse prioridade ao julgamento que poderia resultar na extradição.
Battisti nega envolvimento com os homicídios e se diz vítima de perseguição política. Em entrevista em 2014 ao programa Diálogos, de Mario Sergio Conti, na GloboNews, ele afirmou que nunca matou ninguém.
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