Os policiais militares que abordaram um jovem negro na última quarta-feira (5) no shopping Ilha Plaza, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio , prestaram

Redação Publicado em 11/08/2020, às 00h00 - Atualizado às 10h07
Os policiais militares que abordaram um jovem negro na última quarta-feira (5) no shopping Ilha Plaza, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio , prestaram depoimento por cerca de duas horas nesta segunda-feira. Em seus relatos na 37ª DP (Ilha do Governador), os PMs – identificados como Diego Alves da Silva, soldado do Batalhão de Choque, e Gabriel Guimarães Sá Izaú, agente do programa Segurança Presente – alegaram que abordaram o entregador Matheus Fernandes, de 18 anos, porque desconfiaram do rapaz.
De acordo com o delegado Marcus Henrique Alves, um dos motivos alegados pelos policiais para suspeitarem de Matheus foi o fato do entregador estar usando um boné que fazia alusão ao personagem Hulk. Esse era um dos apelidos do traficante Gilberto Coelho de Oliveira, comparsa de Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, que era chefe do tráfico em favelas na Ilha. Ambos morreram em uma operação policial em junho do ano passado.
“Eles (policiais) disseram que desconfiaram do Matheus não pelo fato de ele ser negro, mas porque usava um boné que fazia referência ao Hulk, alcunha de um traficante também conhecido como Gil”, explicou o delegado Marcus Henrique, titular da 37ª DP.
Os PMs também disseram, em seus depoimentos, que Matheus encarou ambos no momento em que passou por eles. Os policiais ainda afirmaram que viram o momento em que foram filmados pelo rapaz e alegaram que ficaram preocupados, com receio de terem sido reconhecidos como militares. Os PMs disseram também terem suspeitado de um volume na cintura de Matheus, que depois foi verificado que se tratava da carteira do entregador.
O caso aconteceu na noite da última quarta-feira. O entregador Matheus relata que havia se dirigido à loja Renner para trocar um relógio que comprara de presente para seu pai. Ele foi retirado da loja pelos dois policiais, que prestavam serviços de “apoio de inteligência” a uma empresa de segurança terceirizada do Ilha Plaza Shopping.
Matheus afirma que foi arrastado pelos PMs até a escada de emergência e chegou a ter uma arma apontada contra sua cabeça, mesmo enquanto tentava mostrar a nota fiscal do relógio. Ainda segundo o rapaz, a situação só foi amenizada quando outros funcionários do shopping intervieram e gritaram para que os policiais cessassem as agressões.
O delegado Marcus Henrique Alves, afirma haver indícios de que os PMs cometeram crimes de racismo e abuso de autoridade. Parte fa ação dos policiais foi filmada. Na última sexta, ele ouviu funcionários do shopping como testemunhas e o próprio Matheus. Pelas imagens registradas, o delegado disse que o jovem não oferecia risco e a abordagem foi “inadequada”, e ocorreu em “função de sua cor”.
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