
Redação Publicado em 20/06/2022, às 00h00 - Atualizado às 17h07
Doação será entregue à Unicef
Para além do valor que a medalha obtiver em leilão, Dmitry Muratov vai doar os 500 mil dólares que acompanham o prêmio. O jornalista diz que a doação, que será entregue à Unicef, pretende “dar uma possibilidade de futuro às crianças refugiadas”.

O jornalista russo Dmitry Muratov foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em outubro de 2021 pelo trabalho no jornal independente russo Novaya Gazeta. A publicação foi entretanto fechada pelo Kremlin em março último, por uma censura cada vez mais apertada no contexto da invasão russa da Ucrânia.
O Prêmio Nobel da Paz de 2021 foi partilhado por dois jornalistas: Dmitry Muratov, da Rússia, e Maria Ressa, das Filipinas. Eles receberam a distinção e as medalhas pela luta para preservar a liberdade de expressão nos respectivos países, apesar do ataque por parte de governos e até de ameaças de morte.
Em entrevista à Associated Press, o repórter confessa-se preocupado sobretudo com o futuro das crianças que ficaram órfãs devido ao conflito.
Num vídeo partilhado pela Heritage Auctions, que coordena a venda abdicando dos lucros, Dmitry Muratov apela a que outras pessoas sigam o exemplo e “leiloem os seus bens valiosos para ajudar os ucranianos”.
O repórter agraciado tem-se manifestado de forma crítica em relação à situação na Ucrânia, sendo que a reprovação da ação do Kremlin já vem desde a anexação da Crimeia, em 2014.
Nos últimos anos, mas sobretudo nos últimos meses desde o início da guerra, vários jornalistas russos têm enfrentado pressões por parte do aparelho russo.
Nos últimos 20 anos, desde que o presidente russo Vladimir Putin chegou ao poder, dezenas de jornalistas foram mortos, incluindo pelo menos quatro repórteres que trabalhavam para o jornal Novaya Gazeta.
Em abril, o próprio Dmitry Muratov foi atacado com tinta vermelha num trem que fazia a ligação entre Moscou e Samara, na Rússia. Segundo relatou à imprensa internacional, um desconhecido lançou contra ele tinta vermelha e acetona.
Entretanto, o repórter já deixou a Rússia e viajou nos últimos dias até Nova York, onde participará nesta segunda-feira (20) de um evento ao vivo do leilão da medalha.
O leilão online iniciou-se a 1 de junho, data em que se assinala o Dia Mundial da Criança. Esta segunda-feira, dia de evento ao vivo, celebra-se o Dia Mundial do Refugiado.
No início do dia, as ofertas chegavam a 550 mil dólares, mas espera-se que novas propostas ultrapassem em muito este valor. “Não é toda a gente no mundo que tem um Prêmio Nobel para leiloar e não é todos os dias que há um Prêmio Nobel da Paz em leilões”, salientou Joshua Benesh, responsável da Heritage Auctions.
“É um item único a ser vendido em circunstâncias únicas. É um ato significativo de generosidade e uma crise humanitária significativa”, acrescentou Joshua Benesh.
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