O diagnóstico da presidente da Sociedade de Doenças Infecciosas dá a medida do rumo que a pandemia de Covid-19 tomou com a segunda onda em Israel: o país está

Redação Publicado em 02/07/2020, às 00h00 - Atualizado às 14h04
O diagnóstico da presidente da Sociedade de Doenças Infecciosas dá a medida do rumo que a pandemia de Covid-19 tomou com a segunda onda em Israel: o país está à beira de um desastre, atesta Miri Weinberger diante do novo recorde de casos — 980 em apenas um dia. Na Cisjordânia, o aumento repentino de doentes levou a Autoridade Palestina a decretar o lockdown por cinco dias.
Os planos do governo israelense para retomar viagens e turismo estão em modo pause. A União Europeia excluiu Israel da lista de países com ingresso liberado em suas fronteiras porque está 2,5 vezes acima da taxa de 16 casos de coronavírus por 100 mil pessoas exigida pelo bloco.
Um dos primeiros a entrar em quarentena, no início de março, o país enfrentou rígidas restrições até que o nível de infecções se estabilizasse. Na fase mais dura, os israelenses eram proibidos de se afastar mais de 100 metros de suas casas. Na Páscoa, o governo decretou bloqueio total.
O sacrifício resultou. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, anunciou a flexibilização de medidas em um plano de reabertura gradual, que culminou com a volta às aulas e o funcionamento de shoppings. Porém, o clima esquentou, os israelenses aboliram máscaras e aglomeraram-se em praias, cerimônias religiosas, acampamentos, festas e bares.
O número de casos voltou a subir. Nas duas últimas semanas, o país registrou 3.868 novos doentes, que perfazem 26.021 desde o início do surto. Cerca de 8.200 ainda estão ativos.
O governo, então, recuou. Impôs novas regras, na segunda-feira, quando o número de casos ainda era a metade dos registrados dois dias depois. Limitou os eventos culturais a 250 pessoas e cultos a 50. Cerca de 30% dos funcionários públicos passam a trabalhar de casa, acampamentos devem ter no máximo 28 crianças em cada grupo e exames universitários serão realizados remotamente.
Não foi suficiente. Com 980 novos doentes em 24 horas, Netanyahu convocou reunião ministerial e deve anunciar ampliar a lista de restrições. Especula-se novos bloqueios em bairros de ultraortodoxos, onde o foco de infecções é o dobro em relação ao resto do país.
Nas cidades palestinas da Cisjordânia, a situação também preocupa. Dos 3.095 casos, 78% foram registrados nos últimos 15 dias. A partir de sexta-feira, apenas farmácias e supermercados funcionarão, em nova tentativa de conter a doença.
Após o aparente êxito na primeira onda, entre israelenses e palestinos prevalece a sensação de desânimo, pelo retorno ao ponto onde tudo começou.
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