Uma hamburgueria de Salto (SP) causou polêmica nas redes sociais após lançar um sanduíche batizado de "Maria da Penha" durante o fim de semana.

Redação Publicado em 27/11/2018, às 00h00 - Atualizado às 08h55
Uma hamburgueria de Salto (SP) causou polêmica nas redes sociais após lançar um sanduíche batizado de “Maria da Penha” durante o fim de semana.
O sanduíche leva repolho roxo como um dos principais ingredientes e as palavras “olho roxo” foram grifadas na cor roxa para evidenciar o trocadilho, causando críticas dos internautas, que acusaram o restaurante de fazer apologia à violência contra a mulher.
Depois das críticas, a administração do estabelecimento mudou o nome do sanduíche para “Censurado” e depois para “Um lanche com repolho”.

Hamburgueria de Salto causou polêmica nas redes sociais — Foto: Rede social/Reprodução
O G1 conversou com uma das jovens que fez uim post sobre o nome do lanche e que viralizou nas redes sociais. Michelle Duarte, de Itu (SP), ressalta a quantidade de mulheres que denunciam casos de violência doméstica.
“Primeiro, o dono colocou o nome de ‘Maria da Penha’ e, na descrição do lanche, coloca em caixa alta e com cores diferentes a expressão ‘olho roxo’, deixa nítido o que ele quis passar. É uma ligação muito forte e, ao mesmo tempo, ofensiva, depois que analisamos a quantidade de mulher que apanha todos os dias dentro de casa por motivos afins”, desabafa.
Após a repercussão, a hamburgueria publicou um pedido de desculpas em sua página nas redes sociais. No post, os responsáveis reconhecem o erro e ressaltam que não compactuam com qualquer tipo de violência.
O G1 tentou entrar em contato com a hamburgueria para pedir um posicionamento oficial, mas não obteve resposta.

Hamburgueria publicou pedido de desculpas após batizar lanche com repolho roxo de ‘Maria da Penha’ — Foto: Rede social/Reprodução
Em agosto deste ano, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completou 12 anos. O texto descreve todas as formas de violência que existem contra as mulheres no Brasil.
A luta de uma farmacêutica cearense – agredida a ponto de ficar paraplégica depois de levar um tiro do marido – inspirou a criação da lei, que estabeleceu medidas de proteção para as mulheres vítimas de violência e punição rígida aos agressores.
A lei encorajou as vítimas a denunciarem os crimes, que muitas vezes ficavam silenciados entre quatro paredes e passaram a ser levados para as delegacias especializadas no atendimento à mulher.
O Monitor da Violência do G1levantou dados sobre violência contra a mulher no país. Segundo os números de 2017, em média 12 mulheres são assassinadas todos os dias. Foram contabilizados 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero.
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