A intenção do presidente Jair Bolsonaro de usar o pacote de socorro aos estados como moeda de troca para conseguir a flexibilização da quarentena provocou

Redação Publicado em 17/05/2020, às 00h00 - Atualizado às 13h24
A intenção do presidente Jair Bolsonaro de usar o pacote de socorro aos estados como moeda de troca para conseguir a flexibilização da quarentena provocou reação de governadores. Reunidos neste sábado em uma live do Observatório da Democracia — instituição que reúne sete fundações partidárias— os governantes criticaram a postura do governo federal. Conforme o GLOBO revelou, Bolsonaro pretende atrelar a liberação de recursos a uma ação coordenada nos estados para iniciar a abertura gradual da economia a partir do próximo mês de junho.
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que a relação com o governo deve “se basear em lealdade, não em chantagens”. “Não se trata de interesses pessoais de governadores. Se Bolsonaro quer debater o conteúdo de medidas preventivas, estamos prontos a participar e ouvir as propostas. E evidentemente podemos até concordar com as propostas, desde que tenham base científica e não sejam meros achismos ideológicos”, afirmou.
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), fez coro e acusou Bolsonaro de “engavetar” o projeto de socorro.
“O congresso reuniu diversas posições políticas de A a Z e votou o pacote de socorro aos estados e municípios. Passada a urgência dessas duas instâncias democráticas, o presidente simplesmente botou o projeto na gaveta. Isso não é se propor a governar com seriedade. É como se as relações fossem pessoais. Quem de nós não queria estar com o comércio aberto ? Não temos alternativa. Temos que valorizar a vida humana”, disse.
O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) disse o país não pode perder tempo com discussões ideológicas.
“As medidas de isolamento são determinantes para reduzir o contágio e garantir atendimento no sistema de saúde. O único adversário do Brasil nesse momento deve ser o coronavírus. Precisamos de uma grande união em torno da vida”, afirmou.
Para Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo, o país está à deriva.
“Precisamos aumentar o isolamento evitando aglomerações. A dificuldade é que não há nenhuma coordenação nacional. Não bastasse isso, o presidente procura enfrentamento em todos os assuntos. Jamais pensei que ele fosse fazer enfrentamento à vida”, disse.
Os secretários de Fazenda estaduais enviaram uma carta ao presidente Jair Bolsonaro pedindo a imediata sanção do projeto de ajuda aos estados para conter os efeitos da Covid-19.
No documento, assinado por representantes de todas unidades da federação, eles expressam preocupação com a demora da sanção, falam das dificuldades para manter os serviços essenciais à população e lembram que o projeto está há uma semana à disposição do presidente.
“É urgente a liberação dos valores do auxílio aprovado nos termos encaminhados pelo Poder Legislativo, ainda que sejam recursos insuficientes para o tamanho das intervenções públicas necessárias nessa crise, considerando, especialmente, o impacto econômico e a consequente queda de arrecadação que compromete a manutenção das atividades essenciais dos estados e municípios”, diz a nota.
Além do socorro de R$ 60 bilhões em transferências diretas, os secretários destacam outros pontos do projeto que dão fôlego aos estados, como suspensão das dívidas e não execução por parte da União das garantias firmadas nos contratos de operação de crédito junto as instituições nacionais e organismos internacionais.
Eles não mencionam o reajuste dos servidores públicos, principal ponto de divergência do pacote de ajuda.
IG
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