Ao pedir a prisão de Alexandre Baldy, o Ministério Público Federal elencou depoimentos de delatores ligados à organização social Pró-Saúde nos quais eles

Redação Publicado em 06/08/2020, às 00h00 - Atualizado às 15h30
Ao pedir a prisão de Alexandre Baldy, o Ministério Público Federal elencou depoimentos de delatores ligados à organização social Pró-Saúde nos quais eles afirmam ter repassado 1,4 milhão de reais em propina ao atual secretário de Transportes Metropolitanos do governo João Doria, em São Paulo.
Os pagamentos, afirma o MPF, teriam relação com a atuação de Baldy em um hospital estadual, na Junta Comercial de Goiás, estado de origem do político, e na Fiocruz. “O Ministério Público Federal relata a ocorrência das condutas delituosas de 2014 a 2018, sendo que nesse mesmo período, Baldy foi secretário do governo de Goiás, deputado federal e ministro das Cidades”, diz trecho da decisão do juiz Marcelo Bretas que autorizou a prisão temporária.
Baldy foi preso nesta quinta-feira, 6, em São Paulo pela Lava Jato do Rio, que já investigava as empresas que teriam pago propina ao ex-ministro por fraudes em contratos com o governo fluminense. Na casa dele, a Polícia Federal encontrou 90 mil reais em espécie, guardados em dois cofres.
No caso do Hospital Hurso, Baldy recebeu propina de 500 mil reais para ajudar a destravar pagamentos atrasados do governo de Goiás para a Pró-Saúde, segundo o MPF. “De acordo com o assinalado pelos colaboradores e com os elementos trazidos pelo órgão ministerial, é provável que Baldy tenha influenciado nos pagamentos devidos à organização social pelo governo de Goiás e, em contrapartida, no segundo semestre de 2014, os gestores da OS Pró-Saúde tenham repassado ao Alexandre Baldy a quantia de 500 mil reais”, observou Bretas.
Um dos delatores afirmou ao MPF ter feito as entregas de dinheiro pessoalmente a Alexandre Baldy em dois hotéis de Goiânia e no apartamento do ex-ministro, na capital de Goiás, no segundo semestre de 2014. O dinheiro, solicitado em um encontro em um shopping em São Paulo, seria destinado à campanha de Baldy a deputado federal.
Os outros 900 mil reais, segundo o MPF, teriam sido repassados em parcelas em dinheiro vivo para Baldy pela sua atuação para favorecer uma empresa chamada Vertude em uma contratação feita pela Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz. De acordo com a investigação, a contratação foi feita a mando de Rodrigo Dias, que havia sido indicado por Baldy para a Fundação Nacional da Saúde, a Funasa, a qual a Fiocruz está vinculada. Dias recebeu 250 mil reais, diz o MP.
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