Sempre que tenho a oportunidade de conversar com empreendedores estrangeiros sobre o nosso ambiente de negócios, sinto-me na obrigação de alertá-los sobre o

Redação Publicado em 20/08/2018, às 00h00 - Atualizado em 08/09/2018, às 14h46
Sempre que tenho a oportunidade de conversar com empreendedores estrangeiros sobre o nosso ambiente de negócios, sinto-me na obrigação de alertá-los sobre o fato de que temos dois grandes “Brasis”, que são completamente diferentes entre si.
Temos o Brasil de uma boa parcela da iniciativa privada, a turma do bem, que colocou e coloca diariamente o país no primeiro mundo. E, na contramão disso, o Brasil do Estado: lento, pesado, arrecadador, extremamente burocrata e corrupto. Esse último é também o Brasil do improviso, da agenda escondida, do paternalismo (para o bem e para o mal), do conchavo, do excesso de regulamentação, da ineficiência orçamentária, do desrespeito com o dinheiro público e, principalmente, da total falta de estratégia.
Enquanto o primeiro privilegia a meritocracia, as melhores práticas de governança, a transparência, a constante busca da modernização e a livre concorrência, o segundo promove o loteamento de cargos, o conflito de interesses e o lobby negociado e pago diariamente com o nosso dinheiro. O primeiro conhece o seu papel no desenvolvimento das pessoas e no consequente crescimento do mercado. Já o segundo, está muito mais focado em seu projeto de poder, financiado por uma das maiores cargas tributárias do mundo.
Quanto mais vejo alguns projetos e realizações feitas pela iniciativa privada brasileira, mais me animo e me orgulho com a competência de nossos gestores e empreendedores. Mas, ao mesmo tempo, me envergonho ao ver nossos gestores públicos com agendas caóticas, que atrapalham os nossos projetos e fazem com que voltemos umas 30 casas do nosso jogo da vida.
Esse tipo de pensamento, que ignora a importância do empreendedorismo como gerador de conhecimento e empregos e impulsionador do crescimento da nação, produz aberrações como tributações que destroem setores ou políticas públicas enviesadas por interesses pessoais e de curto prazo. Dentro desse quadro, onde o estado e os órgãos responsáveis pela regulamentação nos enxergam como bandidos, experimentamos diariamente o impacto dessa visão na nossa sociedade.
Isso pode ser visto em diversos casos, como o de um veterinário e empresário do bem que não pode dar atendimento gratuito, por conta de um “código de ética” que não o permite fazê-lo, e também nos ataques criminosos promovidos por alguns taxistas que nunca pensaram em como cativar o cliente – e, em vez disso, esperam que o Estado (paternalista) iniba e mate a concorrência.
Esses são os “Brasis” que vivemos. Um estado que adota fórmulas antigas e fracassadas e que só se moderniza para arrecadar cada vez mais. E, no comando disso tudo, temos “CEO’s” que, em vez de ficar focado no negócio, fazendo a gestão da crise, perdem seu tempo participando de inaugurações de obras inacabadas apenas com objetivos eleitorais.
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