investigação sugere que infecções intestinais crônicas provocadas pelo citomegalovírus (CMV), um membro da família do vírus da herpes, podem ser responsáveis por até 45% dos diagnósticos de Alzheimer

William Oliveira Publicado em 20/12/2024, às 12h26
Cientistas da Universidade Estadual do Arizona, em colaboração com o Instituto Banner Alzheimer's, revelaram uma conexão intrigante entre a doença de Alzheimer e o vírus da herpes. A pesquisa, que apresenta novas evidências, foi divulgada na última quinta-feira (19) na publicação Alzheimer & Dementia: The Journal of the Alzheimer's Association.
A investigação sugere que infecções intestinais crônicas provocadas pelo citomegalovírus (CMV), um membro da família do herpes, podem ser responsáveis por até 45% dos diagnósticos de Alzheimer em estágios posteriores da vida.
"Identificamos um subtipo biologicamente distinto de Alzheimer que pode afetar entre 25% e 45% das pessoas diagnosticadas com a condição", afirmou Ben Readhead, coautor do estudo, em comunicado à imprensa.
Se essa hipótese for validada, os pesquisadores pretendem testar medicamentos antivirais como possíveis tratamentos ou métodos preventivos para a forma de Alzheimer associada ao citomegalovírus. Além disso, está em desenvolvimento um teste sanguíneo para identificar indivíduos infectados pelo CMV que poderiam se beneficiar desses antivirais.
Estima-se que a maioria das pessoas seja exposta ao citomegalovírus durante as primeiras décadas de vida. O vírus se propaga por meio do contato com fluidos corporais contaminados — como saliva, urina e secreções genitais — e permanece ativo apenas durante períodos específicos.
Em geral, os portadores do citomegalovírus não apresentam sintomas evidentes. No entanto, em pacientes com o sistema imunológico comprometido, a infecção pode resultar em complicações graves, incluindo cegueira e pneumonia.
O estudo recente indica que o citomegalovírus pode persistir em um estado ativo no intestino por longos períodos e migrar para o cérebro via nervo vago, que serve como um canal de comunicação entre os órgãos. Ao alcançar o cérebro, o vírus é detectado pela microglia — células imunológicas cerebrais — que ativam a expressão do gene CD83. Os pesquisadores sugerem que essa interação pode influenciar as alterações biológicas ligadas ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.
Em uma pesquisa anterior publicada na revista Nature Communications no início deste ano, foi constatado que pacientes com Alzheimer apresentavam uma maior probabilidade de ter o CD83 ativado pelas células do sistema imunológico central. Ao investigar essa relação, os cientistas encontraram anticorpos no intestino dos pacientes associados à infecção pelo citomegalovírus.
Os autores do estudo destacam que aproximadamente 80% da população apresenta anticorpos contra o citomegalovírus aos 80 anos. Contudo, a infecção intestinal ocorre apenas em um grupo específico de indivíduos. Portanto, os pesquisadores ressaltam que o simples contato com o CMV — uma ocorrência comum entre quase todos — não deve ser motivo de alarme.
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