Estado recebe milhões de doses, inicia imunização de profissionais da linha de frente e prepara ampliação gradual da campanha

Erika Osti Publicado em 13/02/2026, às 17h51
A campanha de vacinação contra a dengue em São Paulo ganhou destaque em 2026 com a chegada de milhões de doses da vacina Butantan-DV ao SUS, visando reduzir casos graves e mortes pela doença.
O Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses do imunizante, com um investimento de R$ 368 milhões, priorizando a vacinação de profissionais da saúde na primeira fase.
A vacinação ocorre de forma progressiva, com foco em equipes de atendimento básico, enquanto a inclusão do público geral dependerá da disponibilidade de novas remessas e da capacidade de produção do Butantan.
A campanha de vacinação contra a dengue ganhou protagonismo em 2026 com a chegada de milhões de doses da vacina Butantan-DV ao Sistema Único de Saúde (SUS) no estado de São Paulo e com o anúncio de investimentos federais que fortalecem toda a estrutura de produção e imunização no país. A expectativa das autoridades é que a nova estratégia reduza a incidência de casos graves, hospitalizações e mortes pela doença.
O Ministério da Saúde contratou 3,9 milhões de doses do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, com um investimento inicial de cerca de R$ 368 milhões para aquisição dessas vacinas, que começaram a ser distribuídas a partir de janeiro e fevereiro. Parte das doses, 99 mil enviadas ao estado paulista, destina-se, nesta primeira fase, a profissionais da Atenção Primária à Saúde em todos os municípios.
O imunizante é a primeira vacina no mundo contra dengue em dose única, aprovada para uso em pessoas entre 12 e 59 anos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com eficácia geral de cerca de 75% na prevenção da doença e quase 90% contra formas graves. Estudos indicam ainda que a vacina reduz a carga viral em quem é infectado, o que ajuda a conter o agravamento dos sintomas.
O pacote de investimentos federais inclui ainda R$ 1,4 bilhão destinados à infraestrutura e expansão de produção do Instituto Butantan, com aporte adicional de R$ 400 milhões da própria instituição para modernizar instalações e garantir maior capacidade produtiva de vacinas e insumos.
No estado de São Paulo, onde a dengue permanece um desafio, a vacinação ocorre de forma progressiva conforme a chegada das remessas federais. A estratégia de início antecipado, prevista para segunda-feira (9), priorizou equipes que atuam diretamente no atendimento básico, como agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e enfermeiros em todos os 645 municípios paulistas, inclusive capital, que também organiza aplicação conforme a disponibilidade de doses.
No interior, cidades como Mauá começaram a vacinar seus profissionais com um lote inicial de 600 doses destinado às equipes das unidades de saúde. Em Indaiatuba, o primeiro lote de 361 doses foi aplicado aos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde, e a prefeitura reforça que a vacinação do público infantil e juvenil, entre 10 e 14 anos, com esquema de duas doses continua nas UBSs. Em Jundiaí, 1.054 doses foram destinadas aos profissionais de saúde e administrativos que atuam no atendimento direto à população. Relatos de início de vacinação com doses menores também surgem em outras cidades como São Carlos, que recebeu dezenas de unidades do imunizante.
A iniciativa de começar pelos profissionais visa proteger quem está na linha de frente do enfrentamento da dengue e impedir que afastamentos por doença comprometam o atendimento à população. A inclusão gradual do público geral dependerá da chegada de novos lotes e da capacidade de produção no Butantan.
Dados epidemiológicos reforçam a importância da estratégia. Em 2025, o Brasil registrou mais de 880 mil casos confirmados de dengue em São Paulo e mais de mil óbitos.Ainda no início de 2026, o estado já contabiliza 4.373 casos de dengue confirmados, com duas mortes registradas, uma em Nova Guataporanga e outra em Jacareí.
A introdução de uma vacina eficaz em dose única é vista como um divisor de águas para reduzir internamentos severos e a pressão sobre o sistema de saúde. Especialistas ressaltam que a vacinação é uma ferramenta essencial, mas deve ser acompanhada de ações de controle do mosquito transmissor Aedes aegypti e mobilização da comunidade para eliminar criadouros e reforçar a proteção coletiva.
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