Serviço começa por Recife e Rio de Janeiro e deve alcançar todo o país até junho, com milhões de atendimentos previstos por ano

Letícia Sales Publicado em 05/03/2026, às 13h46
Mulheres expostas à violência ou em situação de vulnerabilidade psicossocial terão acesso a teleatendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir deste mês. A iniciativa do Ministério da Saúde começa nas cidades de Recife e Rio de Janeiro e deve ser ampliada gradualmente para todo o país.
De acordo com o cronograma da pasta, em maio o serviço será disponibilizado em municípios com mais de 150 mil habitantes e, em junho, deve chegar às demais cidades brasileiras. A expectativa é que sejam realizados cerca de 4,7 milhões de teleatendimentos psicológicos por ano.
O projeto será desenvolvido em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). A proposta é ampliar o acesso ao cuidado psicológico e fortalecer a rede de proteção para mulheres em situações de risco.
Para utilizar o serviço, as mulheres poderão ser encaminhadas por unidades da atenção primária, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS), ou por serviços que integram a rede de proteção social. Também será possível solicitar atendimento diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital, que terá um miniaplicativo específico previsto para entrar em funcionamento no fim do mês.
Na plataforma, a usuária deverá realizar um cadastro inicial com informações sobre sua situação. A partir dessa avaliação preliminar, o sistema indicará data e horário para o teleatendimento.
Segundo o ministério, a primeira consulta terá como objetivo identificar possíveis riscos, entender a rede de apoio da paciente e mapear suas principais demandas. A partir disso, os profissionais poderão orientar encaminhamentos e articular o atendimento com serviços especializados.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a iniciativa segue o modelo de outros atendimentos virtuais já implantados pelo SUS.
A gente lançou esta semana o teleatendimento como suporte para pessoas que já estão em situação de compulsão por jogos eletrônicos. E a gente vai construir o mesmo modelo, mas com arranjos diferentes na relação com a atenção primária em saúde e na pactuação com estados e municípios”, detalhou.
Padilha acrescentou que o serviço reunirá uma equipe multidisciplinar para oferecer suporte às pacientes.
Ofertar esse teleatendimento com psiquiatra, psicólogo, assistente social e, em algumas situações, com terapeuta ocupacional para mulheres – não só aquelas que já foram vítimas de violência, mas àquelas que estão sinalizando ou que estão em extrema vulnerabilidade”, completou.
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