Diário de São Paulo
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Surto em cruzeiro

OMS confirma oito casos de hantavírus em surto ligado a navio de cruzeiro no Atlântico

Doença já deixou três mortos e autoridades investigam transmissão entre passageiros a bordo do MV Hondius

Imagem: Reprodução/Eloi ROUYER / AFPTV / AFP
Imagem: Reprodução/Eloi ROUYER / AFPTV / AFP

Letícia Sales Publicado em 14/05/2026, às 13h49


A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que subiu para oito o número de casos de hantavírus relacionados ao surto registrado em um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico. Segundo a entidade, todos os casos identificados até agora são da cepa Andes, considerada a única forma conhecida da doença capaz de ser transmitida entre pessoas.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (13), a OMS informou que o cenário segue em investigação internacional.

“Até 13 de maio, foram relatados 11 casos no total: oito confirmados, um inconclusivo e dois prováveis, incluindo três óbitos – dois confirmados e um provável”, destacou a organização.

Casos em diferentes países

Desde a última atualização divulgada pela entidade, no dia 8 de maio, dois novos casos confirmados e um inconclusivo foram registrados entre passageiros do navio MV Hondius.

Um dos pacientes apresentou sintomas durante o processo de repatriação para a França. Outro caso foi identificado na Espanha, logo após o desembarque, embora a pessoa permaneça sem sintomas.

Já um terceiro passageiro, levado aos Estados Unidos, apresentou resultado laboratorial inconclusivo e segue realizando novos exames.

“A amostra do indivíduo foi coletada devido à exposição de alto risco a casos confirmados a bordo. Todos os casos confirmados em laboratório são de infecção por Andes. Todos eram passageiros a bordo do MV Hondius”, explicou a OMS.

Investigação sobre origem do surto

Segundo a organização, a principal hipótese é de que o primeiro paciente tenha sido infectado antes mesmo do embarque, durante passagem por áreas terrestres na América do Sul.

“Investigações estão em andamento para elucidar as possíveis circunstâncias de exposição e a origem do surto, em colaboração com as autoridades da Argentina e do Chile”, informou a entidade.

Apesar disso, a OMS afirma que os dados atuais indicam forte possibilidade de transmissão entre passageiros dentro do navio.

“Isso também é corroborado por uma análise preliminar das sequências, que mostram similaridade quase idêntica entre diferentes casos”, acrescentou o órgão.

Resposta internacional

O surto mobilizou autoridades sanitárias de diferentes países. Entre as medidas adotadas estão isolamento de pacientes, evacuações médicas, rastreamento internacional de contatos, monitoramento de passageiros e realização de testes laboratoriais.

O hantavírus é uma doença rara, mas potencialmente grave, transmitida principalmente pelo contato com fezes, urina e saliva de roedores infectados. A cepa Andes, identificada neste surto, é considerada uma exceção por permitir transmissão entre humanos.


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