Ação mobiliza cerca de mil unidades de saúde em todo o país e busca reduzir filas por exames, consultas e cirurgias especializadas

Letícia Sales Publicado em 21/03/2026, às 15h00
Um mutirão nacional mobiliza, neste fim de semana, cerca de mil hospitais e centros de saúde públicos e privados em todo o Brasil para a realização de mais de 230 mil procedimentos. A iniciativa prioriza o atendimento às mulheres, em alusão ao mês de março, e integra o programa Agora Tem Especialistas, do governo federal, voltado à redução das filas no Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB), neste sábado (21), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha destacou a dimensão da ação. “Estamos fazendo maior mutirão da história do SUS, dedicado exclusivamente à saúde da mulher”, afirmou.
A unidade, vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), está entre as participantes e prevê cerca de 800 atendimentos ao longo do fim de semana. Entre os serviços ofertados estão exames essenciais para diagnóstico precoce, como tomografias, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias, além de avaliações oftalmológicas e auditivas.
O mutirão também contempla cirurgias eletivas, com destaque para procedimentos ginecológicos, como histerectomia, reconstrução mamária, retirada de tumores no útero e laqueadura. Além disso, há cirurgias gerais, incluindo catarata, tratamento de varizes, retirada de hérnias, vesícula e tumores de pele.
Segundo o ministro, os atendimentos são direcionados a pacientes que já aguardavam na fila do SUS.
As mulheres têm uma oportunidade de serem chamadas pela secretaria estadual ou pela secretaria municipal de saúde, aqueles que estão esperando pra fazer uma cirurgia para fazer um exame e que precisa estar dentro do hospital para fazer o procedimento. São aquelas que já estavam aguardando na fila”, explicou.
O programa Agora Tem Especialistas também promoveu mudanças estruturais no sistema, como a atualização da tabela de pagamentos do SUS, com aumento significativo nos repasses para exames e cirurgias, além da possibilidade de hospitais privados converterem dívidas tributárias em atendimento à população.
De acordo com o Ministério da Saúde, essas medidas contribuíram para que o SUS atingisse, em 2025, um recorde de mais de 14,7 milhões de cirurgias eletivas — um crescimento de 40% em relação a 2022.
Além do atendimento imediato, a ação também reforça estratégias de prevenção. Um dos destaques é a oferta de 3,8 mil implantes do Implanon, método contraceptivo de longa duração que pode custar até R$ 3 mil na rede privada, mas é disponibilizado gratuitamente pelo SUS.
Padilha ressaltou o caráter social da iniciativa. “É uma demonstração de que no mês de março, o mês da mulher, elas não têm que ganhar somente presentes não, têm que ganhar dignidade”, declarou.
Para o gerente de Atenção à Saúde do HUB, Rodolfo Lira, o chamado “Dia E” amplia o acesso da população de forma organizada e eficiente. “Trata-se de uma iniciativa que fortalece o SUS ao concentrar esforços, integrar equipes multiprofissionais e otimizar a capacidade instalada dos hospitais universitários em benefício direto da população”, afirmou.
A unidade também realiza procedimentos como remoção de lesões oncológicas e sessões de radioterapia, ampliando o alcance da ação e contribuindo para desafogar a demanda reprimida desde a pandemia, período em que muitos atendimentos foram suspensos.
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