Ele precisou ficar internado 35 dias, dentre eles, alguns na UTI

Vitória Tedeschi Publicado em 16/03/2023, às 11h51
Um menino de 12 anos, identificado apenas como J., foi parar na UTI após uma reação alérgica rara que fez sua pele "soltar" do corpo. Apesar de já ter tomado a medicação antes, foi a primeira vez que ele teve tal alergia.
O remédio em questão era o Parecetamol ou acetaminofeno, um medicamento que costuma ser usado para combater a febre com ação analgésica e antipirética, que não precisa de prescrição médica para ser comprado nas farmácias.
A mãe do menino conta que um dia após o garoto utilizar o remédio, acordou com os olhos e a boca inchados. Ela achou que era uma alergia normal, mas, por precaução, decidiu levá-lo ao médico.
"Levei-o à UBS (Unidade Básica de Saúde), mas não fomos atendidos. À noite, ele piorou, vomitava e estava mais inchado. Ao levá-lo ao Hospital Menino Jesus [na capital paulista, do SUS], os médicos decidiram interná-lo", contou a mãe do menino ao UOL.
Ela continuou detalhando que ele só foi piorando cada vez mais, e que foi assustador ver o menino naquelas condições de um dia para outro. Surgiram bolhas d'água por todo seu corpo, como se fosse uma queimadura, mas estouraram.
Por fim, toda a sua pele se soltou, ficando em carne viva. O garoto teve reação cutânea (na pele) adversa a medicamentos, chamada de farmacodermia (entenda melhor mais abaixo).
Vale citar que, por ser uma reação grave, no momento da internação, os médicos não sabiam o que J. tinha. Na madrugada, ele foi transferido para a UTI. No segundo dia, precisou ser intubado.
No 3º dia, os médicos me informaram o diagnóstico. Ver seu filho se desfigurando na sua frente é muito ruim. Foi a pior sensação que já senti. É horrível, tenebroso e senti muito medo, apesar de todo o suporte que me foi dado", lamenta a mãe.
Para o tratamento foram utilizadas mantas e os curativos eram trocados a cada 7 dias. J. não ficou muito tempo intubado, para evitar consequências, mas o tempo total de internação foi de 35 dias.
Felizmente, ela afirma que, apesar do momento extremamente difícil, hoje ele está melhor.
Hoje, ele está muito bem e continua em tratamento, tudo realizado pelo SUS. Segue sendo acompanhado pelos especialistas, no mesmo hospital e, inclusive, participa de consultas com psicólogo", diz.
Como a pele descamou inteira, usa medicamentos para evitar cicatrizes e reduzir as manchas que ficaram. Por conta das sequelas, J. ainda está afastado da escola.
De acordo com o portal Tua Saúde, a farmacodermia é um conjunto de reações da pele e do corpo, provocadas pelo uso de medicamentos, que podem se manifestar de várias formas, como manchas vermelhas na pele, caroços, erupções cutâneas ou, até, como o caso acima, descolamento da pele, o que pode ser muito grave.
Qualquer medicamento pode desencadear estas reações na pele, mas os que mais comumente causam estes problemas são os antibióticos, anti-inflamatórios, anticonvulsivantes e os psicotrópicos.
Além disso, segundo o Sanar Med, apenas cerca de 0,1 a 1% da população geral e cerca de 2 a 3% dos pacientes hospitalizados são acometidos pelo fenômeno considerado raro.
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