Novo hospital é parte das medidas emergenciais para atender ao povo yanomami e lidar com aumento de doenças na região

Marina Milani Publicado em 23/02/2024, às 09h32
O governo federal revelou, nesta quinta-feira (22), o plano de construir o primeiro hospital indígena na cidade de Boa Vista (RR), com o objetivo de apoiar o atendimento ao povo yanomami. Esta iniciativa faz parte das medidas emergenciais na área da saúde para enfrentar a crise na região. Autoridades citaram um aumento nos diagnósticos de doenças entre os indígenas em 2023 na Região Norte do Brasil, ressaltando a necessidade de um mapeamento mais abrangente da saúde, inexistente na gestão anterior.
No ano passado, foram registradas 363 mortes no território, um aumento em relação ao total de 343 em 2022. Ministérios da Saúde e dos Povos Indígenas atribuíram essa elevação à subnotificação e destacaram a necessidade de mecanismos mais eficazes para compreender a realidade da assistência à saúde na região.
O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, apontou a presença de garimpeiros na região como uma das principais causas da disseminação de doenças entre os indígenas, afetando seu modo de vida e saúde.
A construção do primeiro hospital indígena do Brasil em Boa Vista visa oferecer serviços de atenção especializada, de média e alta complexidade, atuando como um hospital de retaguarda para aliviar a pressão sobre os serviços de saúde locais. Além disso, está prevista a implantação de um centro de referência em Surucucu para levar atendimento especializado diretamente ao território yanomami.
Representantes da Saúde planejam a construção e reforma de 22 unidades básicas de saúde indígena na região de Surucucu, considerada estratégica para os yanomamis.
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, enfatizou a colaboração de 13 ministérios para encontrar soluções para a situação dos yanomamis, incluindo um crédito extraordinário de R$ 1,2 bilhão anunciado em janeiro. A segurança local será reforçada não apenas pelas Forças Armadas, mas também pela Polícia Federal e Força Nacional.
O número de profissionais de saúde cresceu 53% no último ano, com a realização de 140 mil testes em massa para detecção de malária, identificando aproximadamente 30 mil casos. Um centro de recuperação nutricional foi estabelecido tanto em Boa Vista quanto em Surucucu para crianças com desnutrição.
O governo planeja apresentar uma portaria ainda este ano para regulamentar a nova Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, visando melhorar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde nesses territórios.
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