Diário de São Paulo
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Alerta sanitário

Covid-19 lidera mortes por vírus respiratórios no Brasil em janeiro e expõe baixa adesão à vacinação

Com 29 óbitos confirmados no mês, coronavírus supera Influenza e reacende preocupação de autoridades de saúde com a cobertura vacinal insuficiente no país

Apesar da inclusão da vacina contra Covid-19 no calendário de imunização, menos de 40% das doses foram aplicadas até 2025 - Imagem: Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil
Apesar da inclusão da vacina contra Covid-19 no calendário de imunização, menos de 40% das doses foram aplicadas até 2025 - Imagem: Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 07/02/2026, às 09h24


Ao menos 29 brasileiros morreram em janeiro deste ano em decorrência de complicações causadas pela Covid-19, segundo dados do informativo Vigilância das Síndromes Gripais. O número coloca o Sars-CoV-2 como o vírus respiratório mais letal identificado no país no período, superando casos associados à Influenza e a outros agentes virais. Especialistas alertam que o total pode ser maior, já que parte das investigações sobre causas de óbito ainda está em andamento ou sem atualização definitiva.

Nas quatro primeiras semanas do ano, foram registradas 163 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em 117 desses casos, o vírus causador não foi identificado. Entre os óbitos com confirmação laboratorial, a Covid-19 aparece à frente, seguida pela Influenza A (H3N2) e pelo rinovírus, com sete mortes cada, além da Influenza A não subtipada, responsável por seis óbitos. Outros vírus, como H1N1, Influenza B e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), somaram cinco mortes.

No mesmo período, o país contabilizou 4.587 casos de SRAG, incluindo os não letais. A maioria, 3.373 registros, não teve o agente infeccioso identificado. O estado de São Paulo liderou em número de mortes confirmadas, com 15 óbitos entre 140 casos registrados.

Os dados revelam que os idosos continuam sendo o grupo mais vulnerável. Pessoas com mais de 65 anos concentraram 108 das mortes por SRAG. Entre os casos fatais com confirmação de Covid-19, 19 vítimas estavam nessa faixa etária, o que reforça o papel da vacinação como principal ferramenta de proteção.

Desde 2024, a vacina contra a Covid-19 integra o calendário básico de imunização para crianças, idosos e gestantes, além de reforços periódicos indicados para grupos especiais. Apesar disso, a adesão à campanha permanece baixa. Em 2025, menos de quatro em cada dez doses distribuídas pelo Ministério da Saúde foram efetivamente aplicadas. Das 21,9 milhões de vacinas enviadas a estados e municípios, apenas cerca de oito milhões chegaram à população.

Dados da plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que, ao longo de 2025, pelo menos 10.410 pessoas desenvolveram quadros graves após infecção pelo coronavírus, resultando em aproximadamente 1,7 mil mortes. O cenário reacende o alerta das autoridades sanitárias para a importância da imunização e do monitoramento contínuo das síndromes respiratórias no país.


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