Demanda por terapias modernas pressiona inflação médica e pode impactar reajustes nos convênios

Letícia Sales Publicado em 05/05/2026, às 10h16
O aumento no uso de medicamentos de alto custo, incluindo as chamadas “canetas emagrecedoras”, deve intensificar a pressão sobre os custos da saúde suplementar no Brasil. A tendência, segundo especialistas do setor, pode resultar em reajustes mais elevados nos planos de saúde, especialmente os empresariais.
Levantamento da Willis Towers Watson aponta que os gastos com medicamentos estão entre os principais fatores que impulsionam a inflação médica nas Américas. Entre eles, destacam-se tratamentos mais avançados para obesidade e diabetes, que vêm ganhando popularidade.
A diretora de saúde e benefícios da consultoria, Walderez Fogarolli, explica que, apesar de os planos de saúde brasileiros ainda não cobrirem medicamentos voltados ao emagrecimento, houve ampliação recente na cobertura de tratamentos. “Embora os planos de saúde no Brasil ainda não contemplem medicamentos para emagrecimento, como as canetas injetáveis, o rol de procedimentos ampliou a cobertura ambulatorial para alguns tratamentos oncológicos, além de medicamentos voltados a doenças raras e autoimunes”, afirma.
Obesidade em debate e impacto futuro
A discussão sobre o tratamento da obesidade tem avançado globalmente. A Organização Mundial da Saúde já publicou diretrizes sobre o uso desses medicamentos, classificando-os como uma ferramenta relevante no combate à doença.
No Brasil, projetos de lei também passaram a discutir a incorporação desses tratamentos no sistema público. Esse movimento reforça o reconhecimento da obesidade como uma condição crônica, o que pode influenciar decisões judiciais e ampliar a pressão sobre operadoras de saúde.
Segundo a pesquisa, 67% das seguradoras acreditam que medicamentos baseados no hormônio GLP-1 devem elevar os custos médicos nos próximos anos. Essas substâncias atuam no controle do apetite, promovendo saciedade e auxiliando na regulação da glicose.
Outros fatores também encarecem a saúde
Além dos medicamentos, outros elementos contribuem para o aumento dos custos. Entre eles estão a judicialização — quando pacientes recorrem à Justiça para garantir tratamentos —, a incorporação de novas tecnologias, muitas vezes atreladas ao dólar, e práticas como desperdício e fraudes.
Desaceleração, mas com desafios
Apesar da pressão, há expectativa de desaceleração na inflação médica em 2026. Dados da Aon indicam que os custos devem subir 9,7% no Brasil, abaixo da projeção anterior.
Segundo especialistas, isso reflete medidas adotadas pelas operadoras, como o aumento da coparticipação, maior controle sobre reembolsos e renegociação com hospitais e clínicas.
Ainda assim, o setor segue enfrentando o desafio de equilibrar o acesso a tratamentos inovadores com a sustentabilidade financeira dos planos de saúde.
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