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COLUNA

Relações sexuais antes de discursar podem melhorar o desempenho do orador?

Relações sexuais antes de discursar podem melhorar o  desempenho do orador? - Imagem: Reprodução / Freepik
Relações sexuais antes de discursar podem melhorar o desempenho do orador? - Imagem: Reprodução / Freepik
Reinaldo Polito

por Reinaldo Polito

Publicado em 18/11/2024, às 06h00


As pessoas geralmente se interessam por descobertas que impactam a saúde física e mental. Estudos científicos sérios frequentemente desvendam conexões inesperadas entre nosso comportamento cotidiano e o desempenho em situações de pressão.

Um desses estudos, conduzido na Universidade de Paisley, na Escócia, revelou uma curiosa relação entre atividade sexual e a performance ao falar em público.
Embora o tema cause estranheza à primeira vista, o psicólogo Stuart Brody, em pesquisa publicada no periódico Biological Psychology, analisou 22 homens e 24 mulheres heterossexuais. 

Durante duas semanas, os participantes registraram suas atividades sexuais e foram submetidos a situações de estresse, como falar diante de uma plateia. Os resultados mostraram que aqueles que tiveram relações sexuais com penetração apresentaram menor pressão arterial e se saíram melhor em suas apresentações.

Benefícios além da tribuna

Esse não é o único estudo a evidenciar os efeitos positivos do sexo no organismo. Pesquisas da Universidade Wilkes, na Pensilvânia, descobriram que pessoas que mantêm relações sexuais regulares, uma ou duas vezes por semana, têm níveis de imunoglobulina A (IgA) na saliva até 30% mais elevados do que as não sexualmente ativas. A IgA, que fortalece a imunidade, é um anticorpo importante na defesa contra infecções.

Outro trabalho, publicado no American Journal of Cardiology, observou que homens de meia-idade que mantinham relações sexuais pelo menos duas vezes por semana apresentavam 45% menos chances de desenvolver doenças cardíacas, em comparação com aqueles com menos de uma relação sexual por mês. 

Essas descobertas ressaltam que a regularidade na atividade sexual pode beneficiar não apenas o bem-estar psicológico, mas também a saúde cardiovascular.

A eterna busca por métodos inusitados

Embora a ideia de usar o sexo como preparação para apresentações públicas seja inusitada, não é a primeira vez que se discutem métodos pouco ortodoxos para aprimorar o desempenho na arte de falar em público. 

O famoso orador francês Henri Lacordaire, considerado um dos maiores do século XIX, ensaiava seus discursos no jardim do convento onde vivia, imaginando cada flor como um integrante do auditório. Com esse exercício, ficava pronto para encantar as plateias que no domingo lotavam a Catedral de Notre Dame, em Paris.

A estratégia de Monte Alverne

Do outro lado do Atlântico, Frei Francisco do Monte Alverne, um dos maiores pregadores do Brasil, utilizava táticas semelhantes: ensaiava na horta do convento, imaginando os repolhos como sua plateia. Ambos buscaram em técnicas criativas a condição necessária para enfrentar auditórios lotados.

No cinema, soluções curiosas também são exploradas. No filme Encontro de Amor, o personagem de Ralph Fiennes, candidato ao Senado, confessa usar um clipe como recurso para aliviar o nervosismo ao falar em público. O objeto, aparentemente trivial, serve como um ponto de foco que ajuda a descarregar a tensão.

O que funciona para cada um?

A diversidade de métodos revela que a preparação para falar em público é uma experiência única e pessoal. Seja segurar um clipe, ensaiar diante de flores ou vegetais, ou até mesmo manter uma vida sexual ativa, o importante é encontrar o que proporciona melhores resultados.

Ao escolher técnicas, entretanto, é fundamental considerar o contexto. Por exemplo, segurar uma caneta enquanto faz anotações pode ser apropriado, mas gesticular nervosamente com ela durante o discurso talvez distraia a plateia.

Uma reflexão final

A ciência continua a explorar a complexidade da interação entre corpo e mente, revelando conexões que muitas vezes surpreendem. Embora a ideia de relações sexuais como estratégia para melhorar o desempenho ao falar em público seja incomum, o estudo de Stuart Brody abre uma conversa interessante sobre a relação entre bem-estar emocional e desempenho.

No final, a melhor abordagem é respeitar seu estilo único e adotar o que lhe traz conforto. Seja com ensaios meticulosos, respiração profunda ou o inesperado apoio da ciência, o caminho para se tornar um bom orador é, acima de tudo, uma jornada de autodescoberta.


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