
por Reinaldo Polito
Publicado em 27/07/2025, às 06h52
Quem Trump pensa que é? O imperador do mundo? Não, ele não é o imperador do mundo, mas, para a tristeza de seus opositores, especialmente os brasileiros, é hoje o homem mais poderoso do planeta. Como presidente dos Estados Unidos, e tendo ao seu lado a maioria da Câmara e do Senado, consegue aprovar praticamente todas as medidas que deseja pôr em prática.
Ao virar sua metralhadora giratória contra o Brasil, com o poder e a determinação de suas ações, não há muito o que fazer, a não ser ceder, tentando demonstrar que a derrota foi vitoriosa. Só nas histórias de ficção, e eventualmente em passagens bíblicas, é que os mais fracos vencem os mais fortes. Na vida real, difícil encontrar um exemplo.
A realidade, sabemos, é diferente da ficção
Nos filmes, os heróis, e até os anti-heróis, conseguem derrotar os vilões malvados. Começam apanhando. Depois, com ou sem a ajuda de um mentor, aprendem a lutar e tornam-se guerreiros excepcionais. As pessoas saem do cinema felizes porque torceram por aquele que superou as adversidades, foi obstinado na conquista de seus objetivos e venceu.
Quando a história é para valer, o enredo se transforma. Países de poder bélico e economia frágil, como o Brasil, não podem ter muitas esperanças de enfrentar bichos-papões como os americanos e achar que terão algum resultado positivo. Ainda mais quando o chefe do Executivo adversário tem o temperamento de Trump.
Tudo muito bem planejado
Ele não entra nessas brigas para fazer gracinha. Ao tomar a decisão, já estudou todas as possibilidades, todos os riscos e imprevistos que poderia encontrar. Até as justificativas são muito bem planejadas. Enquanto critica o que chamou de “caça às bruxas” por parte do Judiciário brasileiro contra seu apadrinhado Jair Bolsonaro, explica que age assim para combater a injustiça e defender a liberdade de expressão.
E mais: deu a entender que o processo contra Bolsonaro, se fosse tolerado no Brasil, representaria um precedente perigoso também para os Estados Unidos. Ou seja, se alguém refutasse suas iniciativas, ele já teria na argumentação inicial a defesa para interferir em outro país. Essa engenharia retórica não é criada de um momento para outro. Ela exige planejamento e atenção aos detalhes.
A diplomacia perdeu o passo
Se o Brasil não tem condições de bater de frente com um país dessa magnitude, e sabe que poderá sucumbir diante de uma taxação capaz de arruinar a nossa economia de forma devastadora, que tipo de saída poderia ser encontrada? Normalmente, quem entra em ação nessas circunstâncias delicadas é a diplomacia. E a nossa sempre foi considerada das melhores do mundo.
Desta vez, entretanto, algo não engrenou com os nossos diplomatas. Demoraram para tentar uma aproximação e estreitar o relacionamento com os americanos. Na verdade, por questões ideológicas, se afastaram. Ao ver a nau indo a pique, correram para tentar salvar a embarcação, mas receberam um não desconcertante: “Tarde demais”.
Os bravateiros de plantão
Alguns comentaristas, parlamentares e membros do governo tentam bater no peito e gritar frases de efeito em defesa da nossa soberania. Muito verbo e pouca ação. É certo que esse não será o caminho. É velho o ensinamento: se não puder vencer o inimigo, junte-se a ele. Não é o que estão tentando fazer.
Mandar prender Bolsonaro logo depois de Trump ter enviado uma carta dizendo para deixar o ex-presidente em paz, como uma das condições para iniciar as negociações, é o mesmo que jogar mais combustível na fogueira. Esse não é o meio adequado para solucionar a questão.
Esse confronto é voo de galinha
Com a corda no pescoço, Lula não poderá continuar confrontando Trump com a intenção de conquistar alguns pontos nas pesquisas. Em pouco tempo, esse veneno se voltará contra ele. Basta faltar comida, emprego e esperança para que o dedo acusador dos eleitores se volte contra quem está no poder.
Não é fácil engolir sapo e colocar o ego de quarentena, mas, se é que esse pessoal tem juízo, essa deverá ser a conduta de quem tem a responsabilidade de amenizar tamanha tormenta. Vai ver foi por causa das brincadeiras de criança: “Quem for homem cospe aqui na minha mão.” Ah, e Trump não pensa que é, ele tem certeza. Siga pelo Instagram: @polito
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