Ela combina humor e correções gramaticais, ajudando seguidores a aprenderem sem perceber, enquanto se divertem

por Reinaldo Polito
Publicado em 16/11/2025, às 09h02
Você conhece Cíntia Chagas? Gosta dela? Segue suas postagens? Ou não vai muito com o santo dessa famosa educadora e palestrante? Gostando ou não, uma coisa é certa: ninguém fica indiferente a ela. Em muitos casos, a reação é de profunda admiração; em outros, menos numerosos, de certa aversão.
Cíntia Chagas é um dos maiores fenômenos de audiência das redes sociais nos últimos tempos. Ao se aproximar dos 8 milhões de seguidores, muita gente pergunta: o que ela fez para alcançar tamanho sucesso? A resposta não pode ser simples demais, porque não explicaria sua ascensão. Também não deve ser complexa, já que elementos demais só turvam o entendimento.
Um jeito diferente e inovador de ensinar
Formada em Letras pela UFMG, ela começou a se destacar em uma área repleta de concorrentes: a de professora de português. Para sair da mesmice, inovou no modo de ensinar. Suas aulas eram divertidas, lúdicas, facilitando o aprendizado. Assim nasceu uma marca que a acompanha: “a educadora mais divertida do país”.
Bonita, inteligente, espirituosa, Cíntia diz o que as pessoas gostariam de expressar, mas quase nunca têm coragem. Fala sem filtro sobre erros gramaticais comuns. Às vezes recebe uma mensagem pedindo conselho sobre roupa, relacionamento ou comportamento. Se quem escreveu cometeu algum erro, ela, sempre sem identificar ninguém, primeiro corrige a escrita com ironia ou leve deboche, depois dá o conselho.
Dá conselho e corrige
Quem assiste aprende sem sentir. Recebe orientação sobre o tema da dúvida, percebe que aquele deslize não deve ser cometido e, de quebra, se diverte. Se ela ensinasse o mesmo conteúdo do modo tradicional, tudo ficaria pesado, cansativo e desinteressante.
Em um de seus vídeos, por exemplo, alguém pergunta:
“Estou saindo com um feio, mas que me trata como princesa. Devo ‘da’ uma chance?”
Depois de gargalhar, Cíntia responde no seu tom característico:
“Não, meu amor, você não deve da. Você deve dar.”
(Pausa, com aquele olhar maroto que faz parte de seu estilo.)
“Dar… uma chance ao feio. Dê uma chance ao feio. Dê, dê! Homem não precisa ser bonito, não. Homem não precisa ser bonito. Homem precisa de outras qualidades, outros predicados, digamos assim... (Nova pitadinha de humor provocador.) Agora cuidado: ser chifrada por um feio é uma humilhação. Uma humilhação! Você pensa: ‘Fui dar chance para um feio e o feio fez o quê? Me chifrou.’ Cuidado!”
Um aprendizado que fica
É difícil largar o vídeo antes do fim. Dos seus quase 8 milhões de seguidores, grande parte já viu essa cena. Aprenderam, em segundos, que quando escrevemos, o verbo no infinitivo precisa terminar com r, ao contrário do modo como falamos no dia a dia. E ouviram uma orientação ponderada sobre relacionamentos. Como cereja do bolo, riram da provocação final sobre ser traída por um feio. Assim são suas milhares de postagens: divertem e ensinam ao mesmo tempo.
Depois de certa idade, estudar gramática pelos meios clássicos se torna ainda mais difícil, e muitos desistem. Com sua abordagem leve, brincalhona e direta, o aprendizado se torna mais suave e duradouro. Se reuníssemos seus vídeos, teríamos, sem esforço, uma gramática prática e completa da língua portuguesa.
Palestras e entrevistas no mesmo tom jocoso
Por isso, embora às vezes exagere e em certos momentos seja ácida no limite, ela presta um serviço importante à educação brasileira. Quantas pessoas passaram a falar e escrever melhor graças às suas explicações! Principalmente mulheres interessadas em se vestir adequadamente e se comportar de modo elegante nos mais variados ambientes encontram em seus vídeos orientações valiosas.
Suas palestras seguem a mesma linha. Ela já se apresentou em praticamente todas as grandes cidades do país. É impressionante ver a fila de carros se dirigindo ao local onde falará. Com auditórios lotados, movimenta-se pelo palco com segurança e energia, mantendo a atenção da plateia do início ao fim.
Fez e faz sucesso na televisão
Houve uma época em que participou dezenas de vezes do Programa Pânico, na Jovem Pan. Como sua presença rendia picos de audiência, era sempre convidada a voltar para explicar, de modo bem-humorado, as intrincadas questões da língua portuguesa. Se os próprios participantes do programa se divertiam, imagine quem estava em casa.
Se você ainda não conhece Cíntia Chagas, vale a pena saber quem é. Não precisa gostar ou admirar. Mas pode ter certeza de que poderá se divertir e, quem sabe, aprender muito sobre Língua Portuguesa, oratória e etiqueta. Siga pelo Instagram: @polito
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