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Lula precisaria fazer um curso com... Lula

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / José Cruz
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / José Cruz
Reinaldo Polito

por Reinaldo Polito

Publicado em 09/03/2025, às 14h59


A pesquisa realizada pela Latam Pulse/Atlas Intel e divulgada nesta sexta-feira (7) mostra que a aprovação de Lula continua despencando. De acordo com o levantamento, o presidente atingiu reprovação de 53%, enquanto apenas 46% o aprovam. Essa oscilação negativa é a terceira seguida. O que fazer para mudar esse cenário tão adverso?

Lula é o grande culpado

O líder petista pode apontar o dedo para quem quiser, mas deveria saber que ele é o grande culpado. Governando com a mesma cabeça do início dos anos 2000, mostra-se ultrapassado e deslocado da realidade. Naquela época, teve a lucidez de identificar o problema e agiu com sabedoria para dar novos rumos a uma situação que lhe era prejudicial.

Percebeu que seu jeito raivoso e beligerante de falar com as pessoas não estava dando certo para ser bem-sucedido em suas campanhas políticas. Era derrotado em todos os embates. Queria, porque queria, impor suas ideias custasse o que custasse. Os ouvintes desejavam mudanças, mas não aquelas pregadas por um líder político radical.

Perdeu muitas eleições

As pessoas temiam que, mesmo sendo bem-intencionado, no fundo ele fosse um incendiário. Por isso, foi derrotado por Fernando Collor de Mello em 1989 e por Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. Havia algo errado em seus discursos que, se não fosse alterado, o levaria a novas derrotas.

Tomou consciência de que bater de frente com os ouvintes, dando sua opinião logo no início e contrariando as pessoas que pensavam de maneira diferente, não o ajudava a convencê-las. Assim que começava a falar, o público imediatamente levantava ainda mais suas resistências.

Mudou o discurso

Aos poucos, por conveniência, para atingir os objetivos que desejava — o voto dos eleitores —, em vez de dar sua opinião logo no início, passou a tocar nos pontos comuns que possuía com as pessoas. Não havia necessidade de mentir; apenas se preocupou em destacar os pensamentos coincidentes e fazer a introdução dos discursos com eles.

E assim, com essa pequena mudança em sua comunicação, deixando de lado a vaidade ou, quem sabe, a ingenuidade de impor suas teses a todo custo, passou a ser ouvido de maneira mais benevolente. Dessa forma, afastou o temor de boa parte do eleitorado e se elegeu pela primeira vez em 2002.

A popularidade de Lula impressionava

Venceu José Serra com 61,27% dos votos. Ao final do primeiro mandato, conseguiu a reeleição, derrotando Geraldo Alckmin nas eleições de 2006. Com sua oratória cada vez mais afiada, encantou a população, chegando a atingir a inacreditável marca de 87% de aprovação. Tornou-se um político imbatível.

Hoje, o líder petista perdeu a mão. Com a mais baixa popularidade de seus três mandatos, seu governo mergulhou em um verdadeiro processo de "barata voa". Passou a fazer trocas incompreensíveis de ministros, perdeu apoio do Centrão, que ameaça abandonar os ministérios, e começou a receber críticas de parte da imprensa que, até agora, vivia dando explicações benevolentes para as trapalhadas presidenciais.

Lula teria condições de reverter esse quadro desfavorável, mas, para isso, precisaria sentar-se nos bancos escolares para assistir a algumas aulas do Lula de 2002. Aquele que teve humildade e coragem para mudar de atitude. Aquele que entendeu quais eram as aspirações do eleitorado e foi ao encontro dessa realidade.

Mudança que exige sacrifícios

O que Lula de mais de duas décadas atrás diria ao Lula de hoje? Provavelmente, ensinaria a parar de gastar recursos que não possui, a reduzir o apetite voraz por impostos, a montar um ministério mais técnico e competente, a fazer alianças mais consistentes sem se subjugar às exigências interesseiras do Congresso, a não demonstrar espírito de vingança contra seus adversários — deixando de tratá-los sempre como inimigos e evitando polarizar ainda mais a população —, e a apresentar projetos que efetivamente melhorem a vida dos brasileiros, e não medidas de evidente cunho eleitoreiro que já não enganam mais ninguém.

Essa mudança exigiria, como exigiu lá nos idos de 2002, muita humildade, resiliência, coragem, resignação e espírito público. Olhando a situação pelos olhos de quem se contamina pelo poder, parece uma tarefa inviável.

Ok, então dispense o Lula professor e se mantenha como aluno rebelde, vendo sua popularidade cair cada vez mais e tentando colocar a culpa desse desastre nos adversários e antecessores. Depois, não adianta reclamar.


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