Queda de popularidade de Lula se intensifica e expõe crise de confiança no governo

Reinaldo Polito Publicado em 06/04/2025, às 12h49 - Atualizado às 12h49
Você tem acompanhado as pesquisas sobre a aprovação do governo Lula? É impressionante! Não para de cair. A cada levantamento, a situação do presidente é mais desesperadora.
A última avaliação, divulgada na quarta-feira, 2, pela Genial/Quaest, foi um desastre para sua gestão. Foram entrevistadas 2.004 pessoas em 120 municípios, entre 17 e 31 de março. O índice de confiabilidade da pesquisa é de 95%, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Para 56% dos entrevistados, a gestão de Lula é negativa, aumento de 7 pontos em relação a janeiro; apenas 41% a consideram positiva, queda de 6 pontos.
O sinal passou de amarelo para vermelho principalmente quando foram revelados os números da região Nordeste, onde Lula nadava de braçada. A aprovação que, em janeiro era de 59%, agora desabou para incríveis 52%. Uma queda de 7 pontos percentuais em um mês é muito significativa. A desaprovação também intriga: foi de 37% para 46%. Como diz o filósofo: algo errado não está certo.
Nesse cenário, seria possível recolher os cacos e recolocar a casa de pé? Pelas ações adotadas, nada indica que o resultado será revertido. As causas do descontentamento seguem ignoradas ou enfrentadas sem um plano eficiente definido.
A inflação dos alimentos continua elevada, o preço dos combustíveis nas bombas só cresce, a sanha de aumentar impostos e taxar a população se transformou em uma marca da administração, e a vocação para cortar despesas não dá sinal de vida. Para completar o quadro, surgem más notícias de gestão, como prejuízos em estatais e medidas fiscais impopulares.
A estratégia de Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social, não emplacou. Estimulou Lula a falar, acreditando no poder de sedução de sua oratória, mas ficou claro que o presidente perdeu a mão. O chefe do Executivo parece ter se especializado em gafes que descolam ainda mais sua imagem do cidadão comum: ao afirmar que uma mulher simples é "banguela" ou ao comentar que Janja "não nasceu para ser dona de casa", reforçou estereótipos e transmitiu insensibilidade.
A decisão inconsequente de monitorar o PIX, ainda que sem intenção declarada de cobrar impostos, deixou na população o sentimento de que o objetivo era exatamente esse. Tentou explicar, mas não deu certo. Está no imaginário popular que o governo cobra imposto “até da sombra”.
As notícias de prejuízos crescentes nos Correios, chegando a R$ 2,2 bilhões em 2024, também indicam sérios problemas de gestão. Ao justificar os resultados negativos, culpou a “taxa das blusinhas”, o que só piorou a situação, reacendendo a revolta com a taxação de produtos chineses.
O quadro é de um futuro sem perspectivas. O governo não sabe o que fazer e precisa agora enfrentar um grande complicador: a falta de confiança da população. Não há ingrediente mais perverso para um governo em crise do que o desânimo e a desconfiança. Praticamente todas as medidas a serem adotadas esbarram na má vontade das pessoas.
Em outros momentos da história recente, líderes como Bill Clinton, Emmanuel Macron e Barack Obama enfrentaram quedas vertiginosas de popularidade, mas conseguiram reverter a situação com estratégias eficazes. Clinton apostou na recuperação econômica, especialmente com a geração de empregos e o equilíbrio das contas públicas.
Macron reformulou sua abordagem política, buscando diálogo com setores insatisfeitos e adaptando seu discurso. Obama, em momentos de baixa aprovação, recuperou a confiança focando em pautas sociais, em mensagens de esperança e na capacidade de se comunicar de maneira empática e renovada.
Até mesmo Ronald Reagan, nos anos 1980, ao enfrentar quedas bruscas de aprovação, recorria a pronunciamentos diretos à população pela televisão. Com discursos bem construídos, simples e emocionais, Reagan conseguia estancar a perda de apoio e, muitas vezes, reverter a tendência de queda.
Lula, no entanto, parece preso a velhas fórmulas que hoje já não funcionam. Sem apresentar um novo projeto ou uma narrativa que reconquiste a população, vai assistindo, dia após dia, ao desmoronamento da sua popularidade e ao fortalecimento de um sentimento difícil de reverter: a descrença.
O maior problema é que, para melhorar o resultado das pesquisas, a tendência é adotar políticas populistas, e, como sabemos, essas iniciativas podem até funcionar como respiro de curto prazo, mas levam ao risco de comprometer ainda mais a situação do país. Tudo indica que a plaquinha de “passa-se o ponto” já foi pintada e só está secando para ser exposta.
Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação e professor de Oratória nos cursos de pós-graduação em Marketing Político, Gestão de Marketing e Comunicação, Gestão Corporativa e MBA em Gestão de Marketing e Comunicação na ECA-USP. Escreveu 37 livros, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos em 39 países. Siga no Instagram: @polito pelo facebook.com/reinaldopolito pergunte no https://reinaldopolito.com.br/home/,
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