
por Reinaldo Polito
Publicado em 26/01/2025, às 09h37
Hillary Clinton mostrou resiliência ao enfrentar um dos momentos mais difíceis de sua vida pessoal e política, mantendo-se ao lado de Bill Clinton. No último dia 9 de janeiro, uma data marcante na história dos Estados Unidos, o casal esteve presente no funeral de Estado de Jimmy Carter.
O evento reuniu os últimos cinco presidentes americanos: Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama, Joe Biden e Donald Trump. Carter, que viveu notáveis 100 anos e governou o país de 1977 a 1981, foi homenageado nesse momento de despedida.
De forma civilizada, ferrenhos adversários políticos se cumprimentaram e alguns até chegaram a conversar de maneira descontraída, como o caso de Trump e Obama. Sentados logo atrás de Biden e da primeira-dama, estavam Clinton e Hillary. Um casal de convivência improvável depois de tudo o que tiveram de enfrentar.
O escândalo que abalou os Estados Unidos
Neste dia 26 de janeiro transcorreram 27 anos de um escândalo que abalou a vida dos americanos. Naquele longínquo 1998, Clinton negou que tivesse mantido relações sexuais com a estagiária Monica Lewinsky: “Quero dizer uma coisa ao povo americano. Eu quero que você me escute. Vou repetir: não tive relações sexuais com aquela mulher, Miss Lewinsky. Nunca disse a ninguém para mentir, nem uma única vez; nunca. Essas alegações são falsas”.
O desenrolar dos fatos revelou outra história. Linda Rose Tripp, funcionária do governo e confidente de Lewinsky, foi uma peça central no escândalo. Tripp gravou conversas nas quais Monica detalhava o relacionamento com Clinton e sugeriu que ela guardasse provas, como o famoso vestido azul com marcas de sêmen.
As provas que perturbaram Clinton
Essas evidências tornaram-se comprometedoras a Clinton. A partir delas as alegações do presidente americano não se sustentaram. No dia 28 de julho, os investigadores apresentaram o famoso vestido azul que receberam de Lewinsky. O FBI comparou as manchas de sêmen com uma amostra de sangue de Clinton e constatou que o DNA era compatível.
Sem ter como se defender, em depoimento gravado para ser ouvido pelo grande júri, o Democrata admitiu que havia mantido “relacionamento físico impróprio”. E mais, fez um pronunciamento a uma emissora de televisão confessando que seu contato com Lewinsky “não era apropriado”.
A um passo do impeachment
No final daquele ano, a situação do presidente era muito delicada, pois a maioria das duas câmaras do Congresso era republicana. Estava, portanto, a um passo de ser impichado. Os crimes atribuídos a ele eram graves: falso testemunho que foi interpretado como perjúrio e obstrução à justiça. A Câmara dos Representantes aprovou o pedido de impeachment para que pudesse ser julgado pelo Senado.
Depois de 21 dias de julgamento, conseguiu se safar das acusações, já que em nenhuma das sessões houve maioria de dois terços dos votos dos senadores que compareceram. Não atingiram os 67 votos necessários para o seu impedimento.
Hillary e a infidelidade do marido
Em meio a esse imbróglio terrível, havia uma pergunta recorrente: “E Hilary, como fica diante dessa história de infidelidade? Será que vai abandonar o marido? Não abandonou. Permaneceu firme ao lado do companheiro, aparentemente, perdoando ou relevando seu deslize matrimonial.
Quando ela se candidatou à presidência dos Estados Unidos, concorrendo e sendo derrotada por Donald Trump, Clinton foi um incentivador de todos os momentos. Afastaram-se da política e são vistos juntos em cerimônias como essa do funeral de Carter.
Hillary sofreu, mas superou
Hillary revelou a uma reverenda que permanecer com o marido depois daquele terrível escândalo foi a decisão mais difícil que tomou em sua vida. A partir do aconselhamento de amigos, decidiu preservar o casamento. Afirmou que depois de tantos anos não tem arrependimentos e que está confortável com isso
Quem acompanhou aqueles acontecimentos que se arrastaram por intermináveis meses jamais poderia imaginar que no dia em que completam 27 anos do ápice dos problemas os dois estariam juntos. A conclusão que se chega é que cada um é responsável pela sua felicidade e deve, portanto, tomar a decisão que julgar mais conveniente.
Mais de duas décadas depois, a história dos Clintons segue como uma lição sobre as complexas relações entre poder, público e vida pessoal. Nem sempre é possível identificar efetivamente os motivos de uma decisão. Só Hillary sabe das suas razões.
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