Ex-governador do Rio de Janeiro é condenado pela Corte Eleitoral mesmo após renunciar ao cargo; decisão pode impactar cenário político no estado

Ana Beatriz Publicado em 24/03/2026, às 22h52
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, devido a abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, mesmo após sua renúncia ao cargo.
As acusações contra Castro envolvem o uso indevido da máquina pública, o que desequilibrou a disputa eleitoral, e a continuidade do julgamento reflete a responsabilidade eleitoral independente da permanência no cargo.
Com a maioria formada, o julgamento se aproxima da conclusão, permitindo que a defesa de Castro recorra ao TSE ou ao Supremo Tribunal Federal, enquanto o impacto político da decisão pode alterar o cenário eleitoral no estado.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria, nesta terça-feira (23), para declarar a inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A decisão foi tomada mesmo após o ex-chefe do Executivo estadual ter anunciado a renúncia ao mandato no dia anterior, o que não interrompeu o andamento do julgamento.
Até o momento, votaram a favor da condenação as ministras Cármen Lúcia e Estela Aranha, além dos ministros Floriano de Azevedo Marques e Antônio Carlos Ferreira, formando maioria na Corte. O ministro Nunes Marques foi o único a votar contra a inelegibilidade até aqui.
O processo julgado pelo TSE tem origem na eleição de 2022, quando Cláudio Castro foi reeleito para o governo do Rio de Janeiro. A ação questiona supostas irregularidades relacionadas ao uso da máquina pública e a práticas que teriam desequilibrado a disputa eleitoral, configurando abuso de poder político e econômico.
Renúncia não impede julgamento
Apesar de ter deixado o cargo antes da conclusão do julgamento, a Corte Eleitoral entendeu que a análise do caso deveria continuar. Isso ocorre porque a eventual condenação por abuso de poder pode gerar sanções além da perda de mandato, como a inelegibilidade por até oito anos, conforme previsto na legislação eleitoral.
A continuidade do julgamento reforça o entendimento de que a responsabilização eleitoral não depende da permanência no cargo, especialmente em casos que envolvem impacto direto na lisura do processo democrático.
Histórico do julgamento
O caso já vinha sendo analisado pelo TSE desde 2025. O julgamento teve início em novembro do ano passado e foi retomado em sessões realizadas ao longo de março de 2026.
Nas primeiras etapas da análise, dois ministros já haviam votado pela cassação do mandato e pela inelegibilidade do então governador, indicando a tendência que acabou se consolidando com a formação da maioria.
O processo envolve acusações ligadas ao uso indevido de estruturas públicas durante o período eleitoral, tema recorrente em ações que tratam de abuso de poder político.
Impacto político
A decisão do TSE pode ter efeitos relevantes no cenário político do Rio de Janeiro. A inelegibilidade impede Cláudio Castro de disputar eleições por um período determinado, o que pode alterar o equilíbrio de forças em futuras disputas estaduais.
Além disso, o caso reforça o papel da Justiça Eleitoral no controle de condutas durante campanhas, especialmente em situações que envolvem o uso da máquina pública.
Nos bastidores, lideranças políticas acompanham de perto os desdobramentos, avaliando possíveis impactos nas alianças e na reorganização de grupos políticos no estado.
O que acontece agora
Com a formação da maioria, o julgamento caminha para a conclusão formal, que ainda pode incluir a definição de detalhes da condenação. A defesa do ex-governador ainda poderá apresentar recursos dentro do próprio TSE ou recorrer ao Supremo Tribunal Federal, dependendo dos fundamentos jurídicos utilizados.
A decisão final deve consolidar o entendimento da Corte sobre os limites de atuação de gestores públicos durante períodos eleitorais.
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