Nomeados no novo gabinete, servidores já foram alvos de investigações da PF e do MP do Rio; prática volta ao centro da discussão política

Redação Publicado em 17/04/2026, às 10h42
A reorganização do gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro reacende suspeitas sobre a prática de 'rachadinha', com a suplente Alana Passos mantendo assessores investigados por órgãos de controle.
Entre os assessores mantidos, destaca-se Jorge Luiz Fernandes, acusado de articular um esquema de arrecadação de valores de funcionários, e Luciana Paula Garcia, ligada a investigações sobre uso irregular de estruturas de inteligência durante o governo anterior.
A permanência desses nomes no gabinete levanta questionamentos sobre os critérios de nomeação e pode resultar em desgaste político, além de aumentar a pressão por maior transparência na gestão pública.
A reorganização do gabinete deixado por Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro voltou a colocar em evidência suspeitas envolvendo a prática conhecida como “rachadinha”. Isso porque a suplente Alana Passos manteve em sua equipe ao menos seis assessores ligados ao antigo mandato — três deles já investigados por órgãos de controle.
Carlos Bolsonaro deixou o cargo no fim de 2025 para disputar uma vaga no Senado, abrindo espaço para a nova titular. No entanto, parte da estrutura do gabinete foi preservada, incluindo nomes que aparecem em apurações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
Entre os assessores mantidos está Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete do vereador. Segundo investigações, ele teria atuado como articulador de um suposto esquema que arrecadou valores de funcionários ao longo de mais de uma década. Com a mudança de comando, Fernandes permaneceu na equipe e passou a receber salário superior a R$ 27 mil.
Outro nome que chama atenção é o de Luciana Paula Garcia, investigada no contexto da chamada “Abin paralela”, que apurou o uso irregular de estruturas de inteligência durante o governo federal anterior. Ela teria buscado informações sobre investigações envolvendo a família Bolsonaro junto ao então diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.
Também permanece no gabinete Nelson Alves Rabello, que já foi alvo de investigação relacionada a movimentações financeiras suspeitas quando atuava na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em um período ligado ao mandato de Flávio Bolsonaro. O caso acabou arquivado, mas voltou ao debate com a nova composição do gabinete.
Além deles, outros três assessores foram mantidos, embora não estejam diretamente ligados a investigações conhecidas.
A decisão de preservar esses nomes levanta questionamentos sobre critérios de nomeação e controle de práticas administrativas em gabinetes parlamentares. Especialistas apontam que, mesmo sem condenações definitivas, a permanência de investigados pode gerar desgaste político e pressionar por maior transparência na gestão pública.
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