Decisão foi tomada por ampla maioria em reunião do diretório nacional; legenda afirma que alianças eleitorais continuam possíveis, mas sem união formal entre as siglas.

Ana Beatriz Publicado em 08/03/2026, às 13h17
O diretório nacional do Psol rejeitou a proposta de formação de uma federação com o PT para as eleições de 2026, com 47 votos a favor da rejeição e 15 contra, o que impede a atuação conjunta formal entre os partidos por quatro anos.
A proposta gerou divisões internas, com defensores argumentando que a federação poderia fortalecer o campo progressista, enquanto críticos temiam a perda de autonomia política e a diluição da identidade do Psol.
Apesar da rejeição, o Psol poderá formar alianças pontuais com o PT em disputas específicas, mantendo sua estratégia independente para o ciclo eleitoral de 2026, enquanto o debate sobre coligações no campo progressista deve prosseguir.
O diretório nacional do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) decidiu, neste sábado (7), rejeitar a proposta de formação de uma federação partidária com o Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2026. A decisão foi tomada durante uma reunião virtual e contou com 47 votos favoráveis à rejeição da proposta e 15 contrários.
Caso a proposta fosse aprovada, os dois partidos passariam a atuar formalmente como uma única federação, compartilhando estatuto, estratégia política e atuação parlamentar por no mínimo quatro anos, conforme prevê a legislação eleitoral brasileira para esse tipo de aliança. Apesar disso, as siglas manteriam seus próprios nomes e números nas urnas.
A discussão provocou forte divisão interna dentro do Psol. Lideranças que defendiam a federação argumentavam que a união com o PT poderia fortalecer o campo progressista e ampliar a capacidade de enfrentar adversários políticos, especialmente forças identificadas com a direita e a extrema direita no país.
Entre os defensores da proposta estavam o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a deputada federal Erika Hilton. Para esse grupo, a federação poderia consolidar uma frente política mais ampla, com maior peso eleitoral e capacidade de articulação nacional.
Por outro lado, setores históricos do partido e correntes majoritárias se posicionaram contra a proposta. Esses grupos demonstraram preocupação com a possibilidade de perda de autonomia política da legenda e com a necessidade de apoiar candidaturas ou estratégias eleitorais definidas em conjunto com o PT, que poderiam não representar integralmente as posições programáticas do Psol.
Outro ponto levantado por críticos da federação foi o risco de diluição da identidade política da sigla, criada justamente como alternativa à esquerda tradicional. Dirigentes argumentaram que a manutenção da independência partidária permitiria maior liberdade para posicionamentos e construção de candidaturas próprias nas eleições futuras.
Apesar da rejeição da federação, integrantes da legenda destacaram que a decisão não impede a formação de alianças eleitorais pontuais entre os dois partidos. O vereador Roberto Robaina, de Porto Alegre, afirmou que PT e Psol podem continuar atuando juntos em disputas políticas específicas, especialmente em iniciativas voltadas ao enfrentamento da extrema direita.
As federações partidárias foram introduzidas no sistema eleitoral brasileiro em 2021 como alternativa às antigas coligações proporcionais, proibidas pela legislação. Diferentemente das coligações, as federações exigem que os partidos atuem conjuntamente durante todo o mandato parlamentar, funcionando na prática como uma união política de médio prazo.
Com a decisão deste sábado, o Psol mantém sua estratégia de atuação independente para o ciclo eleitoral de 2026, embora o debate sobre alianças no campo progressista deva continuar nos próximos meses, à medida que os partidos iniciam articulações para as próximas eleições.
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