Diário de São Paulo
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PF encontra mensagens que ligam Hugo Motta a empréstimo milionário do Banco Master

Presidente da Câmara evita confirmar atuação direta na liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões do Banco Master para empresa de sua cunhada, mas afirma que a operação ocorreu dentro da legalidade e em condições de mercado.

Mensagens encontradas pela PF indicam que Hugo Motta teria solicitado a liberação de um empréstimo ao Banco Master - Imagem: Reprodução
Mensagens encontradas pela PF indicam que Hugo Motta teria solicitado a liberação de um empréstimo ao Banco Master - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 17/06/2026, às 22h40


A Polícia Federal encontrou mensagens que sugerem que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, teria solicitado um empréstimo de R$ 22 milhões para uma empresa de sua cunhada, ampliando as investigações sobre o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.

O empréstimo, contratado em março de 2024, foi destinado à aquisição de uma área em João Pessoa para um novo empreendimento imobiliário, com Bianca Medeiros afirmando que a operação seguiu critérios normais de mercado e que Motta não tem envolvimento na gestão da empresa.

A situação gera pressão política sobre Motta em meio a investigações em curso sobre o Banco Master, levantando questões sobre conflitos de interesse entre agentes públicos e instituições financeiras, embora ainda não haja acusações formais contra ele.

A Polícia Federal encontrou mensagens que indicam que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, teria solicitado a liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões junto ao Banco Master para uma empresa pertencente à sua cunhada, Bianca Medeiros. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e amplia a repercussão das investigações envolvendo o banco e seu controlador, Daniel Vorcaro.

Segundo a apuração, as mensagens foram encontradas em aparelhos apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao Banco Master. O conteúdo indicaria que Motta teria atuado para viabilizar a concessão do crédito à empresa ligada à irmã de sua esposa, Luana Motta.

Em entrevista ao Estadão, Hugo Motta foi questionado cinco vezes sobre a suposta participação na liberação do financiamento, mas evitou confirmar diretamente se interveio na operação. O parlamentar, contudo, afirmou que o empréstimo ocorreu dentro dos parâmetros legais e seguiu critérios normais de mercado.

O empréstimo de R$ 22 milhões foi contratado em março de 2024 por Bianca Medeiros. Os recursos foram utilizados para a aquisição de uma extensa área localizada em João Pessoa, na Paraíba, pertencente a uma antiga fábrica de cimento desativada. O projeto prevê a transformação do espaço em um novo empreendimento imobiliário.

Em manifestações anteriores, Bianca Medeiros afirmou que a operação foi realizada em condições usuais de mercado, com garantias compatíveis com o valor contratado, e que a escolha do Banco Master ocorreu por critérios exclusivamente negociais. Ela também declarou que Hugo Motta não possui participação societária ou envolvimento na gestão da empresa beneficiada pelo financiamento.

O caso ganhou relevância política porque ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master e seus executivos. A instituição financeira vem sendo alvo de apurações da Polícia Federal e de órgãos de controle em diferentes frentes, envolvendo suspeitas sobre operações financeiras e relações com agentes públicos. Parte das investigações tramita sob sigilo.

A revelação das mensagens deve aumentar a pressão sobre o presidente da Câmara, que já vinha sendo citado em discussões políticas relacionadas ao Banco Master. O episódio também reacende o debate sobre possíveis conflitos de interesse e a relação entre agentes públicos e instituições financeiras que mantêm operações com familiares de autoridades. Até o momento, não há acusação formal contra Hugo Motta relacionada ao empréstimo.


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