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PF apura mensagens entre Hugo Motta e Vorcaro sobre empréstimo milionário

Conversas encontradas no celular de Daniel Vorcaro são analisadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. Investigadores apuram financiamento de pelo menos R$ 22 milhões destinado à compra de um terreno em João Pessoa e avaliam o contexto da relação entre o parlamentar e o ex-banqueiro.

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro colocam Hugo Motta no radar da Polícia Federal - Imagem: Reprodução
Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro colocam Hugo Motta no radar da Polícia Federal - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 20/06/2026, às 15h07


A Polícia Federal investiga mensagens entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre um empréstimo de R$ 22 milhões para uma empresa ligada à família de Motta, o que pode ter implicações legais para o parlamentar.

O empréstimo, formalizado em março de 2024, visa a aquisição de um terreno em João Pessoa para um novo empreendimento imobiliário, e a análise das mensagens busca entender a relação entre Motta e Vorcaro, além de outras despesas relacionadas a autoridades políticas.

A Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros e corrupção envolvendo o Banco Master, já resultou em várias prisões e apreensões, mas até agora não há acusações formais contra Hugo Motta, enquanto a análise do material apreendido continua.

A Polícia Federal está analisando mensagens trocadas entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero. Os diálogos tratam da liberação de um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões destinado a uma empresa de Bianca Medeiros, irmã de Luana Motta, esposa do parlamentar.

De acordo com informações obtidas por veículos de imprensa que acompanham o caso, as mensagens indicariam que Hugo Motta teria solicitado diretamente a Vorcaro a liberação da operação financeira. O material foi encontrado no celular do ex-banqueiro, apreendido durante as investigações conduzidas pela Polícia Federal. As conversas ainda passam por análise e, segundo a Folha de S.Paulo, não haviam sido encaminhadas ao relator dos inquéritos relacionados ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça.

A operação de crédito foi formalizada em março de 2024 e teve como finalidade a aquisição de um terreno localizado em João Pessoa, na Paraíba. A área pertenceu a uma antiga fábrica de cimento e deverá abrigar um novo empreendimento imobiliário, com a construção de um bairro planejado na capital paraibana. A existência do empréstimo já havia sido revelada anteriormente e consta em documentos registrados na Junta Comercial da Paraíba.

Segundo os documentos analisados, Bianca Medeiros assumiu o controle da empresa ETC Participações em março de 2024. Dias depois, firmou contrato de empréstimo com o Banco Master, utilizando as cotas da companhia como garantia da operação financeira. O financiamento permaneceu registrado em documentos societários da empresa ao longo de 2024.

A Polícia Federal avalia as mensagens relacionadas ao empréstimo em conjunto com outras referências a Hugo Motta encontradas no aparelho de Daniel Vorcaro. Os investigadores buscam compreender a natureza da relação entre ambos e verificar se existem elementos que justifiquem o aprofundamento das apurações. Entre os pontos sob análise estão registros de viagens e despesas supostamente custeadas pelo ex-banqueiro para autoridades políticas.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de crimes financeiros, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro. As investigações tiveram início em 2024 e já resultaram em diversas fases operacionais, com prisões, buscas e apreensões e bloqueios bilionários de ativos.

Procurado por veículos de imprensa, Hugo Motta afirmou em declarações anteriores que a operação financeira ocorreu dentro da legalidade. Já Bianca Medeiros sustentou que o contrato foi firmado em condições normais de mercado, mediante garantias compatíveis com o valor negociado, e que a empresa não possui relação societária ou comercial com o deputado.

Até o momento, não há acusação formal contra Hugo Motta relacionada ao empréstimo. A análise do material apreendido segue em andamento e poderá servir de base para futuras decisões da Polícia Federal e dos órgãos responsáveis pela investigação.


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