Direção nacional da sigla classificou como "sem chances" a hipótese de abandono da pré-candidatura presidencial de Romeu Zema. Bastidores revelam insatisfação de parte do partido após declarações contra Flávio Bolsonaro e preocupações com a unidade da direita.

Ana Beatriz Publicado em 17/06/2026, às 12h04
O Partido Novo reafirmou o apoio à pré-candidatura presidencial de Romeu Zema, desconsiderando qualquer possibilidade de sua retirada, em meio a tensões internas geradas por críticas do ex-governador a Flávio Bolsonaro.
A insatisfação dentro do partido surge da necessidade de maior unidade entre as legendas de direita, especialmente com a aproximação das eleições de 2026, e o receio de que ataques a figuras bolsonaristas possam prejudicar alianças futuras.
Embora haja divisões internas, a direção nacional do Novo continua a apoiar Zema, que busca se firmar como uma alternativa liberal e conservadora, enfrentando o desafio de equilibrar sua independência política com a necessidade de diálogo com o eleitorado conservador.
O Partido Novo rejeitou qualquer possibilidade de retirada da pré-candidatura presidencial de Romeu Zema e classificou a hipótese como "sem chances", em meio ao aumento das tensões internas provocadas pelas recentes críticas do ex-governador de Minas Gerais ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A sinalização busca conter especulações sobre um possível enfraquecimento da candidatura e evitar novos desgastes dentro da legenda.
Nos bastidores, uma ala do partido demonstrou insatisfação com a postura adotada por Zema em relação à família Bolsonaro. Integrantes da sigla avaliam que o momento exige maior convergência entre os partidos de direita, especialmente diante da disputa presidencial de 2026. O temor é que ataques públicos a lideranças bolsonaristas ampliem divisões internas e dificultem futuras alianças eleitorais.
A crise ganhou força após declarações de Zema envolvendo a relação de Flávio Bolsonaro com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As críticas repercutiram negativamente entre setores ligados ao bolsonarismo e provocaram reações públicas de aliados do senador. Entre elas, a do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que chegou a defender um rompimento político entre o grupo bolsonarista e o Partido Novo.
O desgaste também teve reflexos dentro da própria legenda. Em Santa Catarina, dirigentes estaduais do Novo chegaram a retirar Zema da programação de um encontro partidário previsto para julho. Em nota, o diretório catarinense afirmou que o cenário político exige união das forças de direita para enfrentar a esquerda nas eleições presidenciais e advertiu que poderia se posicionar contra a indicação de Zema como candidato oficial do partido caso não houvesse mudanças na estratégia de comunicação da pré-campanha.
Apesar das divergências, a direção nacional do Novo mantém o apoio à candidatura do ex-governador mineiro. Zema lançou oficialmente sua pré-candidatura à Presidência em 2025 e tem buscado ampliar sua projeção nacional como uma alternativa liberal e conservadora dentro do campo da direita. Analistas avaliam que um dos principais desafios de sua campanha será justamente equilibrar a defesa de sua independência política com a necessidade de dialogar com diferentes grupos do eleitorado conservador.
A movimentação ocorre em um cenário de disputa pela liderança da direita brasileira. Com diferentes nomes tentando ocupar espaço no campo conservador, a relação entre o Novo e setores ligados ao bolsonarismo tornou-se um dos principais focos de atenção da pré-campanha eleitoral. A decisão da legenda de descartar qualquer recuo de Zema demonstra que, ao menos neste momento, o partido pretende manter sua estratégia e sustentar a candidatura própria ao Palácio do Planalto.
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