Diário de São Paulo
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Moraes determina apreensão de 11 armas ligadas a Bolsonaro e revoga registro de CAC

Decisão do ministro do STF mantém prisão domiciliar do ex-presidente, determina a entrega de armamentos registrados em seu nome e revoga o registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador após desdobramentos de investigação envolvendo uma pistola Glock apreendida no Distrito Federal.

Moraes determinou a apreensão de 11 armas registradas em nome de Jair Bolsonaro, revogou seu registro de CAC e manteve a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente - Imagem: Reprodução
Moraes determinou a apreensão de 11 armas registradas em nome de Jair Bolsonaro, revogou seu registro de CAC e manteve a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 04/07/2026, às 19h53


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou a apreensão de 11 armas do ex-presidente Jair Bolsonaro e revogou seu registro como colecionador de armas, em meio ao processo de execução penal em que ele cumpre prisão domiciliar humanitária.

A decisão foi motivada pela apreensão de uma pistola Glock de Bolsonaro durante uma blitz, onde ele reconheceu a propriedade da arma, levando Moraes a solicitar uma manifestação da Procuradoria Geral da República sobre possíveis descumprimentos das condições da prisão.

Apesar de a Procuradoria não ter encontrado falta grave suficiente para alterar o regime de Bolsonaro, Moraes considerou que a manutenção do registro de armas era incompatível com sua situação jurídica, resultando na apreensão dos armamentos e na preservação das restrições cautelares já impostas.

A medida foi tomada após o avanço das investigações envolvendo uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro. A arma foi apreendida em junho deste ano durante uma abordagem policial no Distrito Federal com um sargento do Exército. Durante o processo, Bolsonaro reconheceu ser o proprietário da pistola, o que levou Moraes a solicitar manifestação da Procuradoria Geral da República sobre eventual descumprimento das condições impostas durante sua prisão domiciliar.

Embora a Procuradoria tenha concluído que não havia elementos suficientes para caracterizar uma falta grave que justificasse a alteração do regime de prisão, Moraes entendeu que a manutenção do registro de CAC e da autorização para manter armas de fogo era incompatível com a situação jurídica do ex-presidente. Por isso, além de manter a prisão domiciliar, determinou a apreensão de todo o armamento registrado em seu nome.

Segundo a decisão, deverão ser apreendidas pistolas, espingardas e fuzis de diferentes calibres, incluindo armamentos de uso restrito. A relação completa foi anexada ao processo judicial.

Lista das armas que deverão ser apreendidas

  1. Pistola Glock calibre 9 mm.
  2. Pistola Taurus calibre .380.
  3. Pistola Taurus calibre .40.
  4. Pistola Glock calibre 9x19 mm.
  5. Carabina Caracal calibre 5,56x45 mm.
  6. Pistola Caracal calibre 9x19 mm.
  7. Carabina Springfield Armory calibre 7,62x51 mm.
  8. Espingarda Typhoon calibre 12.
  9. Pistola Arex calibre 9x19 mm.
  10. Pistola SIG Sauer calibre 9x19 mm.
  11. Espingarda Maestro Arms Company calibre 12.

Além da apreensão das armas, Moraes determinou:

  • Revogação do Certificado de Registro de CAC.
  • Cancelamento do porte de arma.
  • Entrega de todo o armamento à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal em até 48 horas.
  • Manutenção da prisão domiciliar e das demais medidas cautelares já impostas ao ex-presidente.

A defesa de Jair Bolsonaro afirmou que a pistola Glock investigada estaria inoperante e havia sido retirada de circulação por integrantes da equipe de segurança devido às condições de saúde do ex-presidente. Ainda assim, o Supremo Tribunal Federal considerou que a permanência do registro de CAC e da posse das demais armas não era compatível com o cumprimento da prisão domiciliar, mantendo a decisão de apreensão do arsenal.


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